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15 de mar. de 2014

Poema que era carta

Enquanto a chuva surge, eu não desespero.
Enquanto o coração ruge, eu não desespero.
A saudade existe, assim eu te espero.
A saudade é forte, mas ainda assim
Quebram meu coração.

Cansei dessa busca em lugares impossíveis.
Cansei de esperar flores de um terreno hostil.
Cansei de seguir sempre a mesma linha.
Não quero ser um exemplo.
Queria - e quero - respeito, nada mais.

Ainda almejo a liberdade.
Almejo a serenidade de estar ao teu lado.
Desejo poemas sem rimas.
Pensamentos desconexos.
E teus olhos perdidos nos meus.

12 de mar. de 2014

Despertador

O frio corta a alma adormecida. O sol luta e não vence. Nubla. A vida muda, o estômago dói. Sinto a fragilidade entre os dedos, fragilidade escorrendo pelas mãos. Fragilidade que me quebra, me divide, tenha um pouco de piedade. Minhas mãos abrem e fecham, seguem o ritmo dos meus pulmões. Peço a Deus que deixe a cidade nublada, que a transforme em alguns minutos de chuva. E chove. Agradeço com um sorriso tímido, sorriso que ninguém viu.

O sol nasce pela segunda vez. Caminho apressada com a calma que me falta, com a alma que me transborda. Tenho vontade de voltar. Desistir. Não caminhar. Não conseguir. Mas, o sol faz minha aliança brilhar. Faíscas transbordam. A alma transborda outra vez.

É só mais uma manhã que passará enquanto trilho meus caminhos.

2 de mar. de 2014

Espelho

E tão desabituada
Ao meu sorriso estava
Que o estranhei.
Fui alheia:
Ao meu reflexo,
Sombra,
Contato.
Alheia
Ao eu
Abafado
Maquiado
Conforme
O ambiente.

Desassossego

Não dormir
Apenas ver
Nuvens muito brancas
Em um céu muito escuro

Não dormir
Apenas sentir
O coração apertar
Sufocar dentro do peito

Não dormir
Apenas ser
O medo de não conseguir
O medo de desistir

Não dormir
Apenas o não
Do nada vir
Para o nada voltar.

9 de fev. de 2014

Golpe

Viver dói.
Eu sou dor.
Silêncio.
Fuga.
Indiferença.
Medo.
Silêncio.
Insuficiência.

Acreditei que viver não doía
Por puro capricho.
Vivo
Por pura teimosia.

23 de out. de 2013

Rótulos

O volume da tua música, teu sorriso que já não é tão branco. Tua opção sexual atribuída ao demônio. E a tua roupa nova? É original? E as tuas cores, ainda estão na moda? As tuas rugas novas e novos cremes para escondê-las. Quem passou do teu lado, como se chama o rapaz que quase caiu aqui? O teu manequim precisa diminuir, tem academia perto da tua casa. Já pensou em pintar o cabelo? Tuas unhas devem crescer, o rosto sempre maquiado, os pelos dos braços sempre descoloridos. Não esqueça de comprar uma balança. Teu celular já está ultrapassado, parece até telefone fixo. Teus filhos já viram o mais novo notebook? E os vândalos protestando não tem o que fazer? Dá esmola aos pobres? Você diz homossexuais são gente que nem a gente? Se duvidar, fazes parte do clube.

27 de set. de 2013

Sete da manhã

"Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem."

Cores, pessoas e uma escada solitária. O livro que não voltou para as minhas mãos. Meus passos apressados no início da manhã, milhares de palavras ecoando, passos automáticos, palavras e palavras. Pés que pisam a areia, as pedras úmidas, o asfalto morno; pés que vivem todas as manhãs. A beleza escancarada e tímida, a beleza... O ar puro de minutos atrás transformado em algo cinza, visto a olho nu. A alma jovem, despreparada, madura e atormentada. O medo das pessoas, o carinho com as mesmas pessoas. Olhares mortos de início de manhã. Algo nascendo no âmago, no ventre, no coração. O mundo crescendo nas minhas entranhas em cada manhã.

A vida iniciada com gosto de quem morre. Antigos quinze anos, não são nada os meus quinze anos... Quinze anos, é tudo o que possuo. E as paredes me cercando outra vez. Quinze segundos de liberdade em cada manhã. Mais sorrisos e rostos preocupados. Cada dia parece ser o pior, o último. Cada dia é o primeiro, o único. As mesmas paredes de sempre, o mesmo chão, pessoas diferentes de mesma expressão. Olhares e pensamentos, são as únicas coisas que os distinguem. O mundo que mora em cada grão de areia. Olhares que prendem outros, faces que nada expressam. Sorrisos ainda são raros, tímidos. 

E dentro de outras quatro paredes, algumas mentes vazias declamam seus pensamentos vazios e desconexos. Vomitam preconceito em nome de Deus, é a mesma Inquisição de séculos passados. São os mesmos pecadores apontando pecados alheios, pecados que não são pecados. Os torturadores do século XXI, usam como armas os fonemas, em nome de Deus.

15 de set. de 2013

Francisco

Caiu enquanto dava o seu passo, o último. Passo que levava a crer que aquilo era dança. E o susto repentino congelava as veias, o dono do bar chamou o teu nome. Você, assim imóvel, parecia estátua. Com o vento fazendo ondas na tua roupa. O que será da tua vida se ela virar morte? E eu, meio quieta, observava tudo. Na porta do bar, caíras mudo; a bicicleta ao lado gritava: "Futuro!"

E, meio desesperado o dono do bar ficou. Os amigos na esquina ele também chamou. Ao homem da ambulância, disseram: "Venha logo! O homem está caído, quase morto. Ao seu lado uma bicicleta velha clama por socorro, e no seu bolso está um litro de bebida alcoólica."

E ao tocarem teu pulso, não sentiram nada. Quem estará aqui para chorar a tua morte? Do sol tiraram o teu corpo calmo, à sombra de uma marquise ficou calado. Tua cabeça pendia como se estivesse morta, tuas mãos já não tinham nenhuma força. E eu, assim, com as mãos quase postas em oração, pedi que algum santo te salvasse daquilo. Depois pensei no mundo, e que ele nem valia a pena. Desci os degraus com passos frouxos; pensei se existiria mesmo o Paraíso, queria saber onde realmente tua alma estava.

Chegaram ambulâncias depois de longo tempo. Vermelhas e brancas, gritando desatentas. E deram vários choques no teu peito frio, massagearam teu coração como se ele fosse frágil. Prepararam a maca com tanta pressa, mas uma pressa profissional. Chegaram depois tua ex-mulher e um filho, filho que derramou imperceptíveis lágrimas. Depois do meio-dia te declararam morto. Com isso, todo o teu público foi embora, eu fiquei tão pensativa. Quem será que sentirá a tua falta? Os homens riam diante do espetáculo, depois esqueceram o fato mágico.

Francisco, descanse em paz.

P.S.: Baseado em um fato real.

15 de ago. de 2013

Sobre as mudanças

(Me libertei daquela vida vulgar...)

Chegou a hora de mais um desabafo. Posso estar enchendo vocês com tanta bobeira mas, consideremos: estou em uma fase difícil. Mesmo que minha vida possa ser considerada fácil, se eu for comparar. Vamos ao que interessa.

Escrever é o alicerce da minha vida. Logo, minha profissão deveria ser escolhida baseada na escrita. E foi. Escolhi Jornalismo, profissão que considero apaixonante. Li alguns livros sobre, a teoria é muito bonita. Saindo do mundo dos livros, mergulhei para a realidade. O que vi? Bem, não foi muito animador. O que vi e vejo é um Jornalismo comprado.

Escolhi essa profissão para mudar algo do mundo, abrir os olhos das pessoas. Falar somente a verdade e nada omitir dos fatos. Mas estou vendo o Jornalismo seguir algo oposto desse compromisso com a verdade. Está tudo tão sensacionalista. Eu sei que a profissão não se resume ao Jornal que passa no fim de tarde. Mas "uma só laranja estraga a duzia inteira." já dizia a professora do fundamental. Mortes são "abafadas" na base do suborno, já que aconteceu em colégio nobre. O assalto foi universidade dos riquinhos? Ah, então é só pagar um suborno para imprensa que nada será publicado. Não importa se há dinheiro de sobra para manter a segurança de um campus e mesmo assim a segurança não é prioridade. O que importa é que vamos receber um salário extra nesse mês e a sociedade não precisa saber do que aconteceu. Esses fatos e outros tantos que não irei citar, me desgostaram. Me esgotaram. Percebi que eu chegaria aos meus dez anos de profissão sentido-me uma péssima pessoa. Sentada em uma mesa, me perguntando onde estaria a adolescente que eu era, me perguntado como me deixei influenciar pelo dinheiro.

Eu disse não. Não vou mais nessa. Esquece. Bye. Se eu fosse tentar mudar alguma coisa, seria como uma gota de água no mar. A vida é curta demais para exercer uma profissão que não se gosta mais. 

E o que diabos você vai fazer da vida, Gleanne? Cursar Letras! Sempre tive um pé em Letras, juntamente com o outro pé em Jornalismo. Para quem não sabe, além de escrever, eu leio MUITO. Amo Literatura e a Língua Portuguesa e tudo mais. Não vai ser difícil estudar o que eu já faço por prazer. Acho que a escolha foi até mais sábia. Salve Machado de Assis.

Esse texto não mudou a sua vida, mas mudou a minha.

12 de ago. de 2013

É inúltil


(Eu e Tufão - que faz tanta bagunça como um tufão de verdade. Andei me perguntando se gatos foram escritores em outras vidas, nunca vi companhia mais perfeita.)

Conversar com gente desconhecida, falar das amenidades da minha vida. Jogar conversa fora, ser adolescente sem destino e sem rumo. O vestibular ocupando a mente inteira, já não sei se os sonhos que tenho me pertencem. Farei uma prova sem me importar, acho que preciso sabotar uma derrota para saber lutar. Sou cem por cento poesia, cem por cento opinião, nos outros cem por cento você pode opinar. Sou um livro aberto de páginas arrancadas, não mantenho meus diários, mas gosto de cumprir minhas palavras. Me apaixono facilmente, acho que todo mundo já sabe. Mas eu grito, encolhida no meu silêncio; ali mesmo, no banco da escola. Com uma aura que já deixa meus ombros cansados, com cobranças surgindo de todos os ângulos desses trezentos e sessenta graus. O cometa que passa, o cara que me olha pelo retrovisor. Ninguém sabe o que eu carrego por dentro, só quem me lê. O tempo passa, passa, eu não faço nada. Hoje eu não sou ninguém, amanhã eu não sei o que serei. Eu explodo, eu corro, esbarro na parede e me machuco sem sangrar. Apenas reajo polidamente com o que me acontece, exatamente como a ferida que não sangra, a hemorragia que é interna. É uma fase difícil, este é um ano completamente maluco. Juro que nunca mais abrirei minha boca - ou meus dedos, se eu estiver escrevendo - para dizer que tal ano será pior que o anterior. Pus praga, pegou. Só tenho quinze anos, mas sofro por vidas inteiras. É só uma fase, sei que passa. A única vantagem é que não me apaixono pra valer desde maio, ou abril...

10 de ago. de 2013

Dia (im)perfeito

Citando R.R.: "Quase morri a menos de trinta e duas horas atrás." Se foi de acidente, homicídio ou suicídio? Bem, vocês decidem. Acreditem ou não, quase fui tomar um chá com Thanatos. As características do Ultrarromantismo correm nas minhas veias, apenas isso. Estou escrevendo porcaria, eu sei. É que eu não tenho o que contar. Ou tenho. Estou ressuscitando meu antigo amor por Drummond e lendo Machado de Assis. Não estou sacando nada de Física e odiando Química. Eu tento, juro. Mas certas coisas não foram feitas para mim. Me chamam de nerd. Mas não sou, nem faço questão de ser. Para a inteligência que dizem que tenho, dou outro nome: sensibilidade. Mesmo que no resultado do tal teste de QI esteja escrito algum número que esqueci e um "superdotada" como complemento. Isso me dá náuseas. Ah, antes que eu esqueça! Primeiramente: palmas! 


Palmas batidas, então, lá vamos nós. Estou escrevendo contos em uma agenda velha (novidade? não!); a diferença é que esses contos estarão nas páginas de um livro que eu imprimirei na gráfica da esquina. Só estou fazendo isso por causa do Álvares de Azevedo, que já tinha escrito centenas e centenas de páginas antes de seus vinte e um anos. Com um livro escrito eu posso cair de um cavalo e morrer em paz. É praticamente um seguro de vida. Então, alguém achará minhas genialidades - que não possuem genialidade alguma - que serão publicadas em dezenas de edições nos próximos séculos, que serão estudadas por jovens do Ensino Médio. Eu sou pessimista assim mesmo, por isso que não me aguento. Enfim, nem quero morrer aos vinte e um. Antes, prefiro deixar na Terra alguém que tenha minhas características genéticas no seu DNA. Mas, como dito anteriormente, o livro é para garantir. Pensei em acabar com o blog, em parar de escrever - sim, pela milésima vez - mas cá estou eu, voltando às terras tupiniquins, mesmo que esteja falando bobeira. Perdoem as palavras inúteis, mas quem escreve também é gente.

4 de ago. de 2013

Viver morrendo


Dias desses me peguei na janela, pensando. Todo mundo, ou quase, faz aquilo que ama. E eu, vivo, folha seca pelo mundo. E eu, vivo, folha verde pelos cantos. Só estudo e, às vezes fico de mente e ombros pesados. Tento ser inteligente, muitos dizem que consigo. Tento ser diferente, isso consigo, sendo anormal. E eu, vivo, lendo poesia e livros que encontrei em promoção; lendo pdf que baixei, coisas bobas que escrevi. Vivo com um ar indeciso, com um medo tão grande de algo que não sei onde está. Acho que ainda tenho medo dos monstros que aparecem quando meu quarto está escuro. Nesse escuro, obscuro. Acho que não tenho caminho, acho que já tracei minha vida e sei exatamente para onde vou. São estranhos os meus pensamentos e estranhas as minhas necessidades. Me apaixono fácil, às vezes, até por um par de olhos que nunca mais verei. Me apaixono todos os dias por um homem diferente e, até agora, não amei nenhum. Amar é essa coisa que vem da alma, não é fácil para ninguém, imagine para mim. Quando eu amar, será por inteiro. Não sei se amarei nesta vida ou só em outra. Ah, quando eu amar. Espero passar por essa vida e dizer que amei, nem que seja apenas por vinte e quatro horas. Planejo tudo, nada sai como o planejado. Saio do ponto inicial e corro por todo o percurso. Parece que sei exatamente para onde vou, só que insisto em ter medo. É cedo demais para saber de tudo. Todo mundo, ou quase, faz aquilo que ama. Inconscientemente, eu já faço. Eu escrevo, isso basta.

28 de jul. de 2013

Caminhos


Eu leio com a inocente esperança. A esperança de ser algo mais. Das escrituras sagradas às coisas que chamam de obscenidades mundanas. Eu leio com esperança. Me sinto como a Papisa que a Igreja tentou apagar, me sinto como a Papisa observando a incoerência do altar sagrado. Altar construído com os roubos assassinos aos povos pagãos. Eu leio com esperança. Admiro as palavras dos homens e acho estranhas as palavras que dizem ser de Deus. Descrente? Jamais! Eu acho é que acredito em coisas demais. Pequenas interferências, incongruências. Ah, idolatria! Quanta imaturidade! Eu leio com esperança. Os homens de instintos animais, homens que matam em pleno cais. A Sagrada Bíblia, a Doutrina de Buda, O Livro dos Espíritos, Deus, a Deusa. O homem e suas dúvidas, seus desentendimentos. O Vaticano está sendo atacado por bombas.

27 de jul. de 2013

Raíza



"Algo de raiz, de profundidade até no nome. Olhos que falam uma língua antiga, língua que nenhum ser dos tempos atuais entenderia. Moça indecifrável, indecisa e perdida ao andar pelas ruas cheias, um rosto sério que parece sorrir quando o pensamento voa longe. Um quê de dor na expressão, um quê de amor na escuridão. Indecisa, corpo indeciso, alma flutuante. Ideias lindas, uma visão de mundo totalmente igualitária. Eu diria que você é um ser humano exemplar, mesmo que tenha toda essa tristeza na alma, mesmo que tenha os milhares de altos e baixos nessa vida complicada. Eu te entendo. Entendo teu pouco e enorme grande tempo de vida. Você é." 

Mesmo no meio de toda essa tristeza eu consegui sorrir com esse bilhetinho. Palavras dele, e ele mesmo colocava aspas. Ele que me conhecia tanto, que me amava tanto, ele que eu tanto amo. Amo, mas é dessa forma diferente que eu tenho de amar, de enxergar tudo. Alguns anos passaram, parece tanto tempo... Ele foi um refúgio, um pequeno lugar seguro no meio de todo esse caos. Ele foi o único que não me puxou para o fundo do poço, o único que se importava e que realmente me conhecia. Velhos tempos.

Forçada a mudar, forçada a assumir uma identidade que não me pertencia, forçada a ser uma alma habitando no corpo errado. Enfim, uma marionete em mãos erradas. Por fraqueza ou pura inocência, acabei aceitando, deixando-me levar. Um dia inteiro no consultório branco e disfarçadamente tranquilo, obrigada a contar tudo que eu não queria. Sentindo o gosto amargo de cada novo comprimido em fase experimental, lendo bulas e mais bulas, com medo dos efeitos colaterais. Diziam: "Tudo psicológico, excesso de psicologia. É fase e com o tempo passa." Tudo o que eles não sabiam é que eu me aceitava e me amava daquele jeito. A minha visão diferente do mundo, batizaram de depressão. É estranho de explicar, de certa forma é inexplicável. Mas aceitar o que se é, é perfeitamente normal. Aceitar e entender não são ações que a sociedade costuma ter.

Como um gay, uma lésbica, eu sofria e provava do gosto amargo do preconceito. Preconceito por carregar no meu peito uma dor triste, dor que eu aceito. O mesmo preconceito que a sociedade tem com os loucos. Tudo o que é diferente do dito "normal" é alvo do desprezo e da ignorância. Mais normal do que os padrões eram as minhas dores e meus pensamentos, que nasceram comigo e nunca foram padronizados por ninguém. E como uma pessoa diferente, eu era obrigada a me esconder com sorrisos falsos e falsas eram as minhas alegrias.

Ver tudo em preto e branco foi minha primeira escolha inconsciente. Às vezes eu via as coisas um pouco amareladas, como em um filtro do Photoshop. Mas isso também foi escolha minha. E, de repente, querendo deixar de lado minha pura inocência, fui descobrindo que meus valores não deveriam seguir os outros. Eu não deveria ser como um rio, indo sempre para a mesma direção. Nadar contra a correnteza foi minha escolha. Agora sei que tenho tudo em minhas mãos.

P.S.: Esses parágrafos são dedicados à Mi, que me deu a ideia de escrevê-los. E para todos os que sofrem ou já sofreram com a incompreensão alheia.

25 de jul. de 2013

Não vejo só poesia


Os cabelos que caem no ralo do banheiro são apenas pequenos sinais de morte. Outros fios virão e preencherão o espaço vazio. Os pingos que caem deveriam ser pequenos sinais de alegria para ti. A água que tira o teu cansaço deveria te fazer sorrir.

Que sabe, rezar no banheiro. Sentir a água caindo, gelada, te fazendo tremer. Meditar, agradecer. Agradecer por tudo o que você tem. Se arrepender, quem sabe? A água continua caindo e você deveria ser grato. Ainda há água no planeta, ainda há vida na nossa pequena Terra. A água cai no seu corpo transformado, corpo que já te fez chorar. Corpo magro adolescente, corpo um pouco modificado pela fase adulta, corpo totalmente transformado pela meia-idade. Nada com o que se preocupar, certo? As moças da televisão são apenas marionetes, escravas do tão conhecido padrão. Não há motivos para chorar, o tempo muda tudo o que atravessa o seu caminho. Isso deveria ser um sinal de gratidão.

Se arrepender, quem sabe? Melhor arrepender-se agora. Das mentiras, da brutalidade e falta de amor no coração. Você tinha dinheiro quando aquele senhor te implorou por alguma moeda. Você zombou dos dependentes químicos, disse que a culpa era unicamente deles. Mas você nunca passou fome, nunca foi espancado, nunca foi humilhado por ter nascido, jamais foi odiado pelos próprios pais, nunca precisou de um meio para escapar, jamais precisou ver luz em algum fim de túnel. Tudo está sob seus olhos, tudo está ao toque das tuas mãos.

A mulher que apanha, a criança que agoniza de fome, o homem que corta os pulsos. E você, um executivo bem sucedido, que nunca sentiu o estômago roncar sem ter alguns reais nos bolsos? E você, mulher de bancário rico, presa no próprio mundinho luxuoso? E você, rapaz mimado que chora por não ter o mais novo celular da Apple? E você, moça que quer estar dentro dos padrões da mídia, mesmo que perca a vida por causa disso? Você que não aceita as estrias, os seios pequenos, as coxas desproporcionais. Você que trata as mulheres como meros objetos, que usa a força para que a namorada faça o que você quer. Você que não pede o divórcio para o marido machista por causa da conta bancária dele.

Você que é gente comum e quer ser como os que aparecem na TV. Você que tem tudo oque precisa, mas quer o carro mais novo, a área mais nobre da cidade, o celular assinado pelo gênio da tecnologia, o computador mais fino do mercado. Vocês de olhos tapados e corações congelados: há uma família que é sua, mas você não os conhece, não sabe nem como é capaz de lembrar o nome deles. Há um céu estrelado, mas você não se dá o trabalho de olhar para cima. Há um pedinte solitário no chão que sempre te cumprimenta, mas você não pode perder o seu precioso tempo para respondê-lo.

Você, que é um dos "vocês" aqui citados: é hora de mudar!

Tudo o que você vê, bom o ruim, é o que você poderia ser.

19 de jul. de 2013

Antidepressivo

Faço parte da geração que escreve coisas no computador. Me orgulhar? De quê? Por vezes depressiva, lendo livros depressivos para pensar na depressão. Que coisa mais estranha ter essa alma. Que coisa! (...)

Trilha sonora da madrugada:

22 de jun. de 2013

Uníssono


Talvez os caminhos estejam errados. O medo enche nossos corações de desespero. Estranho querer algo que não nos faz bem, estranho desejar algo que nos deixa fora do ar. Alguns dizem: "Estamos em guerra." Outros respondem: "Estamos em progresso." Tudo isso deixaria minha mente confusa, caso eu fosse uma criança. Quisera eu ser criança agora e não ter medo. Quisera eu ter a inocência, ver beleza em um helicóptero de guerra. Estranhos são os meus desejos. Estranhas são as minhas decisões. Queria fechar a porta e trancar-me no meu pequeno mundo. Mas eu não tenho mundo algum, nem deixo que o meu não-mundo seja pequeno. Parece que carrego todos em meus braços. Não entendo bem os meus sorrisos discretos, nem minha leveza de poucos minutos. A estranha paz interior preocupada com as próximas decisões e com o nosso novo rumo. As vozes da minha mente falam em uníssono: "Tudo ficará bem." Eu insisto em duvidar.

17 de jun. de 2013

Agora eu posso acreditar no futuro!


Meus pais não aprovariam, se eu dissesse que queria manifestar com milhares de pessoas nas ruas. Meus pais não aprovariam, se eu dissesse que eu admiro os manifestantes. Ficariam horrorizados, principalmente meu pai. Como eu poderia querer brigar por vinte centavos? Eu fico aqui com o meu protesto silencioso, explicando aos amigos o que a televisão não mostra. Antigamente, eu não acreditava muito no futuro deste país. Mas agora eu vejo que o povo está acordando. "A geração Coca-Cola acordou." E eu faço parte de tudo isso, mesmo que indiretamente. Chega de acomodação, chega de repressão, chega de manipulação. CHEGA. Verdade seja dita! Finalmente, o Brasil está em progresso. 

28 de mai. de 2013

O falso descobrimento da alma do Brasil


E aquele fevereiro vai morrer. Fevereiro é mês de inferno astral e você cismou de aparecer logo nessa época do ano. Esse incômodo que quase se parece com dor, como ele aperta aqui dentro. Sabe, o chato é lembrar de toda a minha sinceridade naquele fim de tarde, lembrar daquela estrela solitária. Foi a primeira estrela que surgiu no céu, mas eu não fiz pedido nenhum, eu não queria que aquele fim de tarde se multiplicasse por anos e anos. Eu só queria pelo menos uma vez acreditar nas promessas de alguém.

Os olhos que me olham são outros. E eu olho de volta, sorrio, acredito nas promessas desse outro. Acredito, pois não existem promessas. Escrevo no diário, depois o atiro contra a parede. E caem as fotos, a primeira página se rasga. Na frente, uma promessa de que te esqueceria; no verso, uma chama de amor acesa por um simples encontro de acasos. Detesto diários, mas sempre tive um. Você foi como um diário na minha vida. Por mais que eu te jogasse no lixo, eu te consertava, renovava, fazia o que fosse preciso para outra vez acreditar nas suas palavras. Eu sabia que tudo era mentira, eu costumo ter umas intuições que são quase previsões do futuro. A maldita intuição me dizia que você era roubada. É uma pena que eu tenha deixado você roubar um pouco da minha já pouca sanidade. Mas esquece, acidentes do passado não passam de idiotices para mim.

Esse foi o seu jeito de me fazer de diário. De me jogar na parede e destruir minhas folhas, embaralhar minhas palavras. Eu nunca fui a mesma depois de cada conversa. E você não foi forte o bastante para aguentar um vírus em mutação, não é? Eu sou um furacão, eu te disse isso e repeti. Repeti, repeti. Deixei bem claro que eu não era só mais uma pessoa vazia. Te falei e escrevi, você sabe que eu ando na rua de um jeito diferente. Eu te disse, eu encaro as pessoas e tento decifrar a alma de cada uma delas. Eu conheço os olhares, os gestos e os sorrisos pela metade. Eu te disse que sabia de tudo, a razão desse saber era só uma: Eu sou cada uma dessas pessoas. Eu te disse que, na verdade, eu era você mesmo.

Você me julgou erroneamente. Fez da minha sensibilidade, bruxaria. Fez da tua incapacidade, Inquisição. Fez das minhas paixões, crimes. Fez da minha magreza, fragilidade. Você sempre será alguém que não descobre novas terras pelo simples medo de ter vertigem no navio.

18 de abr. de 2013

(im)perfeição

Janeiro de um ano que já passou. Todos com promessa  de que tudo mudará, mas nada muda. Continuam sempre as mesmas ignorâncias e os mesmos roubos com as mesmas mortes. Era a fantasia em que todos viviam. Até que um rapaz decidiu celebrar tudo de mais real que havia e ainda há ao nosso redor. Tenho a sensação de que somos só marionetes, e que nossas liberdades tão desejadas não passam de sonhos de prisoneiros em um campo de concentração nazista, onde só nos resta esperar a morte.

Tudo é tão breve e supérfluo. Nosso destino é tão certo nas mãos desses que nos prometem o melhor e nada fazem. Desses que só guerreiam e só se preocupam com os próprios narizes. Mas tudo é caminho pra destruição. 

E o sonho de um mundo só cabe a nós, os artistas, os poetas, os cantores (os de verdade)... É nosso esse trabalho, vamos tentar mudar algo nesse mundo enquanto temos vida. Pois a vida dos artistas é breve, muito breve.

"Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação..."
- Perfeição, Legião Urbana.