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23 de nov. de 2013

Inefável - Prefácio


O prefácio - ainda inacabado - de Inefável. O livro que não pude terminar de escrever no mês de novembro por motivos escolares. Porém, ainda continua vivo, pulsando junto com o meu coração.
Sou uma pessoa de variados nomes, de variados sentimentos e inúmeras insatisfações. Não consigo ter um só nome, já que tantas pessoas moram em mim. Não gosto de nomes, prefiro os pronomes; só não posso dizer que amo incondicionalmente qualquer coisa que conste em uma gramática. Ajo de variadas formas e acredito que não sou uma única alma, um único corpo. Nasci mulher, mas minhas ações não são unicamente de uma mulher, de humana. Posso ser um bicho que se sente ser humano, ainda não sei. Nasci e aqui estou, escrevendo e existindo. Mas não sei se existo como as outras pessoas existem, também não sei como elas existem. Batizaram-me como Lygia, uma menina pequena, nascida quase morta. Da morte recebi um beijo e um aviso, senti seu hálito quente quando sussurrou no meu ouvido. De Deus recebi o direito de viver, mas não sei como existir, não sei como encontrar as luzes que deveriam me guiar. Não consigo explodir quando estou rodeada de silêncio e calor. Busco em amuletos a minha sorte, mesmo que não consiga acreditar neles. Calculei meus passos, mas cansei da exatidão tão sonhada. Mandam e desmandam e esquecem que eu ainda possuo o livre-arbítrio e ele devo seguir; seguir a minha falta de direção. Talvez a vida seja motor. O mundo é uma variedade de caminhos. Eu vivo para quem? 

 Vivo dias aparentemente banais, que são recheados de uma complexidade incompreensível. Ajusto relógios que não funcionam mais, elejo governantes sem que haja eleição. Vivo entre a loucura e a sanidade, não sei o que posso esperar de uma existência tão confusa. Observo detalhes, me apaixono por eles e ninguém acredita nesse sentimento. Sofro nas ruas, o sofrimento de vários agressores anônimos. 

 Abandonei tudo que me disseram ser necessário. Essa é a história de alguém que desistiu de coisas banais para entregar-se ao próprio mundo. Alguém que não teve sorte de encontrar um amor tranquilo. Há o medo e o medo de sentir medo. Há o medo e o medo dos julgamentos. Vontade de ser e explodir de tanto existir. Tenho vontade de abreviar a minha vida e desistir, finalmente descobrir se há um céu. 

4 de nov. de 2013

Inefável?

Novembro chegou com uma surpresa muito agradável: o NaNoWriMoBr. É um desafio, com o simples objetivo de escrever um livro de 50.000 palavras em um mês. E claro, entrei nessa. Como é de se esperar, estarei ausente durante todo o mês de novembro para escrever Inefável, mais um dos meus livros. O desafio foi um empurrão para realizar meu sonho de escrever um livro, já que sempre desisto antes de completar três capítulos de uma história.

Para que vocês matem a curiosidade, segue um trecho do terceiro capítulo:

"Mas consigo levantar da cama onde estou, consigo caminhar e fitar-me no espelho. Ali encontro um corpo nu, quase magro, quase perfeito. Encontro um par de olhos castanhos, na boca uma cicatriz. Tento mudar a luz de posição e procuro um ângulo de iluminação onde eu consiga me enxergar. A fome massacra meu estômago, mas não consigo sair da frente do espelho. Subitamente, encontrar um reflexo, que não é fiel ao que sou. Encontrei meu eu distorcido, encontrei o corpo onde nunca habitei. Pareço ser uma alma desgarrada, é difícil acreditar que eu esteja viva, que me rotulem como humana. Serei eu uma louca? Observando o próprio corpo, suas cicatrizes e marcas dos poucos anos vividos. Curvas e mais curvas, meu corpo é uma estrada sinuosa. Tenho teto e paredes e minha sinuosidade, um corpo que não reconheço e beijos que nunca recebi. Tenho sonhos e nuvens duvidosas que passam por mim.

São ameaças de morte que circulam em uma bicicleta, ameaças de um homem loiro como um nazista, alguém que prometeu vir amanhã para acordar meus pesadelos. Alguém que pode me anular, deixar minhas dúvidas mortas com meu corpo. Mesmo que eu não saiba quem sou, tenho medo de receber outro sussurro da morte e dela ouvir a palavra final. Ódio gratuito que nele ficou gravado, ódio que pode me levar ao inferno. Mas o ódio não é garantia, prefiro acreditar em algo além da eternidade. "

19 de mar. de 2013

Skoob - minha estante virtual



Meme roubado da Gabriela. (Que tem um blog lindão.) Pois é, vi esse meme lá - em novembro - mas resolvi postar agora e não tenho explicações para isso, haha.
Então, vamos lá.

1. Quantos livros você tem na aba LIDO no Skoob?
Cinquenta e cinco. Sim, só esses. Mas li muito quando criança. (Estou lendo ainda mais.) E não consegui lembrar de todos. Memória, algo que eu não tenho.

2. Qual livro você está lendo?
Três.
O nome da rosa, do Umberto Eco. Mas parei porque tive que emprestá-lo, em breve voltarei a ler o exemplar lindão que tenho.
Machado de Assis para principiantes, organizado por Marcos Bagno. O livro é separado por dez temas (adultério, ceticismo, dinheiro, loucura, mulheres, política, sedução, ser & parecer, vaidade, humor), dentro de cada tema existem trechos extraídos de obras dele e um conto na íntegra. Ainda estou na parte da loucura, o livro é bem interessante, mas é parado demais. Pois é.
O lobo da estepe, de Hermann Hesse. Estou simplesmente apaixonada pelo livro. Só li 64 páginas, mas posso garantir que é ótimo. Um pouquinho parado no começo, mas depois que peguei a essência de toda a filosofia dele, passei a amar esse lindo com todas as minhas forças. Está aqui do meu lado, vai para os favoritos.

3. Quantos livros você tem na aba VAI LER?
Trinta e dois. Em constante atualização.

4. Você está relendo algum livro? Qual é?
Não oficialmente. Mas vez ou outra dou uma olhadinha nos livros que já li.

5. Quantos livros você já abandonou? Quais são eles?
Sete. Sim, tudo isso.
O restaurante no fim do universo, de Douglas Adams. Mas depois quero ler esse livro. É MUITO engraçado, não posso perder esse.
Cantos de Outono, de Ruy Câmara. O livro é MUITO chato e depressivo até demais. Começa com um suicídio, e prossegue com muito mimimi. Mas ainda vou terminar de ler esse livro, acreditem.
História & Sociologia, de Flavio Saliba Cunha. Não lembro o motivo do abandono.
A ilha misteriosa, de Julio Verne. Na época fiquei com preguiça de ler e larguei. Simples assim.
Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Na distante década em que eu estava lendo esse livro, um gato fez o favor de fazer xixi nele. Sim, isso aconteceu. Mas vi um exemplar lá na escola, talvez eu leia.
Eclipse, de Stephenie Meyer. Abandonado por motivos óbvios, acho que não necessita de explicações.
O encontro marcado, de Fernando Sabino. Abandonado por razões desconhecidas.

6. Quantas resenhas você tem cadastradas no Skoob?
Nenhuma. Estou com preguiça de fazer resenhas. Se eu criar alguma coragem posto aqui no blog.

7. Quantos livros avaliados você tem na sua lista?
Cinquenta e três. Procurando os que ainda não foram avaliados.

8. Na aba FAVORITOS, quantos livros você tem registrados? Cite alguns.
Quinze.
Marley e eu, de John Grogan. Esse livro marcou meu retorno ao mundo dos livros.
As meninas, de Lygia Fagundes Telles. Sou apaixonada pela escritora e guardo um amor inexplicável por esse livro.
O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë. Amei o amor de Heathcliff e Cathy. O amor que tudo destrói. Esse livro me fez sentir ódio, angústia, felicidade. Tudo junto. E no fim, acabei chorando por Heathcliff.
Papisa Joana, de Donna Woolfolk Cross. Fale nesse livro que meus olhos ficam rasos d'água. Sou apaixonada pela Joana, uma feminista revolucionária, que disfarçou-se de homem para chegar no cargo de Papa. Ou de Papisa. Assistam ao filme depois da leitura. É sim, bastante cortado, mas vale a pena.
O zahir, de Paulo Coelho. Livro que explica uma grande fase da minha vida. Literalmente apaixonada por cada palavra desse livro. Com ele me apaixonei por Paulo Coelho.
A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera. De todos os livros que li, esse foi o que mais me fez pensar. Pensar em tudo. É quase inexplicável, só lendo pra entender.

9. Quantos livros você tem na aba TENHO?
Vinte. Tenho mais alguns por aqui, em breve atualizarei.

10. Quantos livros você tem nos DESEJADOS?
Dois.
Helena, da Del Lang.
Ao norte de mim mesmo, do Gabito Nunes.

11. Quantos livros emprestados no momento? Quais?
Só um. O nome da rosa.

12. Você quer trocar algum livro? Quais são?
Não. Jamais. Tenho amor pelos meus livros, e não os troco por nada.

13. Na aba META, quantos livros você tem marcados? Cumpriu essa meta?
Tenho dez livros marcados. Já li um e estou lendo três. Mas não estou me obrigando a cumprir.

14. Qual é o número do teu paginômetro?
12.070.

15. Qual o link do teu perfil no Skoob?
Gleanne.

{ Pra Del e pra Mia. Não lembro se elas fizeram o meme, mas tá indicado. ;) }

27 de jan. de 2013

Para todo o sempre

Para todo o sempre, de Thierry Jonquet, foi o primeiro livro que comecei a ler em 2013. Vou ser sincera, peguei implicância com o pobrezinho. Começando pela tradução do título que foi feita de maneira errônea. A tradução mais apropriada de 'Ad vitam aeternam' seria 'Para a vida eterna' título que eu acho bem mais apropriado para a história narrada no livro. Mas vamos deixar de mimimi e falar do livro.

O livro começa com um desejo de Anabel: que a mão do senhor Jacob baixasse seus olhos depois de sua morte. Anabel leva uma vida solitária em um pequeno apartamento, já foi presidiária e, por isso, só conseguiu trabalhar em uma 'loja' onde se faziam tatuagens e colocação de piercings. Tudo continua sempre naquela mesmice, até que ela conhece o senhor Jacob. E não, ele não é o príncipe encantado dela.

Entre um capítulo e outro, também é narrada a história de Ruderi, um velho presidiário enigmático, de quem não se sabe a origem, nem o próprio nome - Ruderi é apenas o nome que ele dizia ser dele.

Confesso que é um pouco chato de ser ler, às vezes bem monótono. A parte interessante é o final, quando Ruderi sai da prisão para trazer problemas para Jacob e Tom, que são seus irmãos. Ao contrário do que parece, Jacob e Anabel não se apaixonam, apenas sentem admiração um pelo outro. Quem conquista Anabel é Tom, um incansável rapaz que viaja pelo mundo desde seu início (?!) A melhor parte é a que não posso contar, que é a revelação do segredo de Jacob, Tom, Ruderi e Ava - que é uma espécie de namorada-amante de Ruderi.

A história conta com assassinatos e torturas, com a morte encarada como uma arte, vinganças, sequestros e o tal segredo de Jacob que só é revelado no final. Vale a pena aguentar um pouco da chatice do começo do livro para se surpreender no final.

18 de nov. de 2012

X Bienal Internacional do Livro do Ceará


No dia 15/11 tive a imensa felicidade de estar na Bienal. Mesmo que eu tenha lido que eram esperados 600 mil visitantes durante todo o evento, confesso que me surpreendi ao ver tantas pessoas. E todas elas (ou 99% delas, já que os bagunceiros não perdem um evento) reunidas por um único objetivo: livros. Nesse dia eu vi que o mundo não está perdido, ainda há esperanças de sobrevivência. o/

Com o tema "Padaria Espiritual - "O Pão do Espírito para o Mundo", a Bienal homenageia os 120 anos deste grupo de escritores, pintores e músicos que escandalizaram Fortaleza no século XIX. Todos eles reunidos com o propósito de levar para as pessoas o gosto pela arte e literatura. Eles também protestavam contra a burguesia, clero e etc. (Quanta vontade de estar lá nessa época, ou começar novamente algo do tipo.)

Bem, vou parar de falar no evento e falar em... livros! Mais precisamente nos livros que eu e meus pais compramos. Felicidade nível: 83893920283.

Bagunça mais linda não há. Graças ao cartão de 50 reais que ganhei, 
comprei ainda mais livros! *---*


O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë. Comprei-o por 20 reais, era o último com esse preço! *-* 
"Publicado originalmente em 1847, O morro dos ventos uivantes se consagrou como uma das principais obras da língua inglesa. Uma história de amor intenso, maldição e ódio: a paixão do órfão Heathcliff e Catherine Earnshaw. Ele foi adotado pelo pai de Catherine e levado para Wuthering Heights, propriedade da família. Os jovens criaram fortes laços rapidamente, mas o destino conspira contra a união deles. Este foi o único romance escrito por Emily Brontë, uma obra-prima sem precedentes que ainda hoje emociona leitores de todo o mundo."

Descoberta ao Amanhecer - Walter Veltroni: Comprei-o por inacreditáveis cinco reais. CINCO REAIS!
"Giovanni Astengo tem pouco mais de quarenta anos e trabalha no Arquivo do Estado, onde cataloga a vida cotidiana e, no entanto, extraordinária que pessoas comuns registraram em seus diários. Tem uma mulher sempre preocupada com a carreira e dois filhos queridíssimos: Lorenzo, vinte anos, generoso e cheio de entusiasmo, e a adorável Stella, uma menina Down. Do passado, traz uma ferida não cicatrizada: num domingo pela manhã, quando tinha treze anos, seu pai desapareceu para sempre, sem explicação. Numa manhã de agosto, uma manhã "simples, banal, sem lampejos nem sentido", Giovanni sente-se impelido a voltar à casa de campo da família, lugar da felicidade perdida, abandonado havia décadas. Dentro da casa há um telefone de baquelita. Esse velho objeto esquecido se torna o instrumento pelo qual Giovanni consegue abrir uma passagem na barreira do tempo e lançar luz sobre o mistério que marcou sua vida."

Para Todo o Sempre - Thierry Jonquet: Comprei-o por cinco reais. Muito amor! Identificação nível: infinito. *-*
"Anabel é uma jovem que teve seu passado devastado pela perda de um ente querido. Sua vida parece ir à deriva até conhecer o enigmático senhor Jacob, dono de uma agência funerária e pesquisador da morte. Quando a vida de Anabel parece ter adquirido um novo sentido, um matador profissional cruza seu caminho. Ele a usa de isca para chantagear o senhor Jacob e obrigá-lo a revelar um grande segredo. Para salvar a amiga, ele terá de contar a verdade sobre o homem que o assassino procura, alguém que, como o próprio senhor Jacob, está ligado eternamente à morte."

Ilusões Perdidas (Vol. I e II) - Honoré de Balzac: Nem preciso falar que surtei ao ver esse livro, né? E pelo incrível preço de 10 reais. Amor, meu povo. Amor demais por tê-lo aqui.
"O jovem poeta Lucien Chardon decide deixar o interior da França e viver em Paris para tentar se realizar profissionalmente: ele ambiciona se tornar escritor. Com a ilusão de conseguir viver dessa atividade, instala-se na capital com dois originais prontos debaixo do braço: um livro de poemas e um romance histórico. Lucien consegue emprego na imprensa diária e descobre que o compromisso com a ética e a verdade não é o forte dos jornalistas. Na França de 1820, a corrupção, o suborno, as trapaças políticas e as artimanhas jurídicas fazem parte da profissão. Publicado em 1843, o romance é uma das obras-primas da literatura universal. Além de um encarte de apoio pedagógico, a edição traz um apêndice com informações sobre o contexto histórico em que a obra foi escrita, sobre a escola literária a que pertence e sobre a vida do autor."

Dom Casmurro - Machado de Assis: Eu estava com muita vontade de ler esse livro e o encontrei pelo preço de 4 reais. Foi o livro mais barato que comprei. <3
"Machado de Assis (1839-1908), escrevendo Dom Casmurro, produziu um dos maiores livros da literatura universal. Mas criando Capitu, a espantosa menina de "olhos oblíquos e dissimulados", de "olhos de ressaca", Machado nos legou um incrível mistério, um mistério até hoje indecifrado. Há quase cem anos os estudiosos e especialistas o esmiuçam, o analisam sob todos os aspectos. Em vão. Embora o autor se tenha dado ao trabalho de distribuir pelo caminho todas as pistas para quem quisesse decifrar o enigma, ninguém ainda o desvendou. A alma de Capitu é, na verdade, um labirinto sem saída, um labirinto que Machado também já explorara em personagens como Virgília (Memórias Póstumas de Brás Cubas) e Sofia (Quincas Borba), personagens construídas a partir da ambigüidade psicológica, como Jorge Luis Borges gostaria de ter inventado."
Dicionários, Atlas do Corpo Humano e Geográfico: Esse kit saiu por 10 reais. Nem preciso falar o tamanho da minha alegria. *o*


Atlas e panorama dos países e continentes: Comprei por 10 reais. Item indispensável para uma futura mundivagante. <3


Dicionário Ilustrado de Inglês - Português / Português - Inglês: Esse foi presente do meu pai. Saiu por apenas 50 reais. Levando em conta o tamanho da criança e que ele era 125 reais mais caro, haha. Ah, ele ainda vem com um curso audiovisual de Inglês (VCD).


E acaba aqui. Depois desse dia, minha felicidade nunca mais foi a mesma. :D Ah, e em breve farei a resenha de todos os livros. Bye bye.

16 de nov. de 2012

Em algum lugar do passado

A minha história com esse livro é um caso do passado. Peguei-o na biblioteca da escola (há um ano atrás) e comecei a lê-lo, mas, em breve desisti da leitura. Na quinta-feira peguei-o novamente e disse: "Já está na hora!" Realmente, já estava na hora de conhecer Richard e apaixonar-me por ele.
" A fantasia me levara a apaixonar-me por um retrato e aí viajara através do tempo para estar com o original daquela foto. A fantasia devia, também, prever minha vinda até Elise. Excetuando-se isso, a situação era - e é - de absoluta realidade. Agora, apenas atos reais podem determinar o nosso futuro. " pág.: 217
Uma fuga para qualquer lugar, uma moeda nas mãos, e: cara, norte; coroa, sul. Foi fugindo de si mesmo e do próprio destino que Richard Collier saiu de Los Angeles. Apesar de seus 36 anos, as dores de cabeça tornaram-se fortes e frequentes. A causa disso: um tumor.

Por favor, não pensem que este livro é uma lamentação por causa da doença. Ele é uma fuga, um descobrimento, um amor e um desejo incessante de encontrá-la (Elise McKenna) novamente. Ou seria encontrá-la pela primeira vez? Esse livro prova que o amor nasce através de tudo, até mesmo de uma foto (de uma pessoa desconhecida).

Elise era uma atriz, com uma vida particular totalmente particular. Richard, um escritor moribundo. Ele a conheceu por uma foto, dentro do mesmo hotel que ela estivera há 75 anos atrás. Cheio da presença do passado e um amor súbito pela fotografia, Richard decide pesquisar sobre aquela mulher. Descobriu alguns de seus gostos, suas peças, sua energia (e tudo isso através de livros).

Cada vez mais apaixonado, Richard decide voltar (literalmente) no tempo e conquistá-la, apoderar-se de todo o amor dela. E nessa viagem é desenrolada toda a história. Uma história envolvente, emocionante, e de tão linda, torna-se quase real. Um amor ardente de duas almas aprisionadas por anos, e que finalmente se encontraram.

Até que ponto o amor pode chegar? Até que ponto esse sentimento tem total valor? Viajar no tempo foi o menor dos sacrifícios para Richard. Bem que eu queria poder contar todo o final, que me surpreendeu até demais. Porém, já soltei mais spoilers do que deveria. Só espero que vocês leiam esse livro maravilhoso.

17 de out. de 2012

Papisa Joana

      Nascida no dia 28 de janeiro de 814, filha de um padre e uma saxã, Joana veio ao mundo para enfrentá-lo e mudá-lo a qualquer custo. Disposta a enfrentar todos os obstáculos, até mesmo o seu sexo. Joana deveria ter sido como qualquer outra mulher de sua época: destinada a casar, ter filhos e a ser um objeto do marido. Mas não, ela era diferente. Ela teve uma infância difícil, por causa do amor que tinha pelo conhecimento. Foi excluída pelas pessoas da aldeia, espancada diversas vezes pelo próprio pai e espancada por si mesma.
      "O que havia de errado com ela, que não desistia de seus sonhos impossíveis? Todo mundo lhe dizia que seu desejo de aprender era desnaturado. No entanto, ela tinha sede de conhecimento, ansiava por explorar o mundo mais vasto das ideias e das oportunidades aberto para as pessoas cultas." (pág: 48)
      Após fugir de casa e entrar em uma escola (até então, Joana ainda admitia sua identidade de mulher), mais uma vez ela foi excluída, pelos garotos da escola e odiada por Odo, seu professor. Depois de apresentar-se ao bispo e ter seu conhecimento examinado por Odo, Joana foi levada por Gerold para morar na casa dele enquanto ela estudasse. Aliás, Gerold é o cara, o homem mais encantador do mundo literário e da vida de Joana, claro. E como era de se esperar, Joana apaixonou-se por ele. E por causa desse sentimento Joana tornou-se alvo da manipuladora Richild, esposa de Gerold.
      Depois de muitas reviravoltas, Joana assumiu o lugar de seu irmão morto, tornando-se monge em Fulda. E depois de outras reviravoltas (estou citando 'reviravoltas' demais, eu sei. Mas é isso, ou eu contarei todo o livro, haha.), Joana partiu para Roma, chegando assim ao cargo mais alto, o de Papa. A Papisa Joana.

***
     
      Sem dúvida alguma, este livro é o melhor que eu já li. Joana é muito mais que um exemplo e é quase desconhecida (até meu professor de História pouco sabe sobre ela), é um livro que todos deveriam ler. Joana me mostrou o quanto é possível realizar o impossível, mesmo que para isso tenha que se negar a própria identidade. Joana amou Gerold, a sua única fraqueza quase que indomável. A existência de Joana foi aceita pela Igreja Católica durante a Idade Média. Mas a partir do século XVII, com o ataque do protestantismo, o Vaticano procurou apagar todos os sinais da existência dela, o que pelo visto, não fizeram muito bem. E nem poderiam fazê-lo, Joana não mereceria ser apagada da História. Donna Woolfolk merece todo o meu reconhecimento pela maravilhosa obra que escreveu.
Resquiesce in pace, Johanna Papissa.

16 de set. de 2012

O meu reencontro

      Deve ter sido em 2010, na época em que eu ainda estava no 8º ano e só lia os textos das provas de português. Foi a primeira vez que eu e A vida que ninguém vê nos olhamos. Uma amiga tinha acabado de ler aquele livro e eu li apenas o que estava escrito atrás da capa. Atualmente, só lembrava dessas palavras: "Uma repórter..." 
      Somente nesse ano é que o jornalismo me brilhou aos olhos. E eu lembrei imediatamente daquele livro, eram reportagens. Mas era um livro sem escritora e sem título, eu não lembrava de nada. Mas eu sabia que o reconheceria se o visse. E no mês passado aconteceu o nosso reencontro, ele estava lá, em uma estante da biblioteca da escola. Eu abri um sorriso bobo de criança que encontra um brinquedo. Eu havia encontrado um tesouro.
       Eu não o peguei de imediato porque estava lendo A História dos Treze, de Balzac. Só trouxe esse tesouro para casa na quinta-feira, mas só comecei a ler sábado, por volta das sete da noite. E terminei de ler quase à uma hora da manhã. Eu esperava muito desse livro e não me decepcionei.
       Eliane Brum vai muito além das normas, e nos mostra que não é verdade a frase que diz: "Só há noticia quando o homem morde o cachorro". Nos olhos, mãos e mente de Eliane, até um álbum de fotos que foi jogado no lixo vira uma crônica, e uma crônica com o total sentido. A vida que ninguém vê, foi o melhor livro que eu li até hoje, assim que acabei de fechá-lo já me deu uma vontade de ler tudo novamente.
       Já que estou nesse êxtase de quem acaba de ler um livro magnífico, vamos a sinopse:
"Uma repórter em busca dos acontecimentos que não viram notícia e das pessoas que não são celebridades. Uma cronista à procura do extraordinário de cada vida anônima. Uma escritora que mergulha no cotidiano para provar que não existem vidas comuns.
O mendigo que jamais pediu coisa alguma. O carregador de malas do aeroporto que nunca voou. O macaco que ao fugir da jaula foi ao bar beber uma cerveja. O doce velhinho dos comerciais que é também uma vítima do holocausto. O homem que comia vidro, mas só se machucava com a invisibilidade.
Neste livro você encontra essas e outras histórias extraordinárias da vida real. Ao final, também descobre algo sobre si mesmo."
       E como descobre algo sobre si mesmo. Depois de ler esse livro, me deu muito mais vontade de ser uma jornalista e procurar mudar algo no mundo. Me fez ter mais sensibilidade. E fez com que algumas lágrimas brotassem de leve nos meus olhos.
       Se você quer ser jornalista, leia esse livro. E se gostar de outra profissão, leia esse livro.
"O melhor de ir para a rua espiar o mundo é que não sabemos o que vamos encontrar. Essa é a maior graça de ser repórter. (Essa é a maior graça de ser gente.)
                                                                                           pág: 193; 1º parágrafo.

17 de ago. de 2012

O Planalto e a Estepe

     Pela primeira vez na vida eu vou falar decentemente sobre um livro que li aqui no blog. O da vez é: O Planalto e a Estepe, um ótimo livro, bem emocionante. É um livro que dá pra fazer você chorar, mas apesar de eu ser muito emotiva, não consegui derramar uma lágrima. Aliás, eu nunca consegui chorar lendo um livro.
     Peguei ele na biblioteca do manicômio da escola, por causa de uma amiga minha, ela me disse que começou a ler o livro, mas disse que não entendeu absolutamente nada. Falou que o livro era sem sentido e me desafiou a tentar entendê-lo. Eu, obviamente, aceitei o desafio.



Mas eu me surpreendi ao ler isso: "Julio e Sarangerel eram jovens estudantes em Moscou na década de 1960 quando se apaixonaram. Ele, um jovem estudante angolano, entusiasmado com a revolução e ansioso por levar os preceitos socialistas ao seu país. Ela, uma jovem da Mongólia, aspirante aos mesmos ideais: um mundo mais justo. Não sabiam eles, porém, que a "união dos povos" não seriam algo tão fácil de ser conquistado. Pelo contrário: o amor da juventude tardaria 35 anos para ser concretizado.
Pepetela faz um retrato sensível de uma época recente da história contemporânea mundial. A história de um amor proibido em um mundo rigidamente dividido por duas ideologias. Um período em que a maioria das decisões eram tomadas na esfera política - até o amor.




Como não ler algo assim? Recomendo demais a leitura! O Julio começa contando a história da infância dele, as dúvidas em questão a religião e Deus. Até que ele sai de onde vive para estudar. Depois que ele conheceu Sarangerel, tudo muda, mas a felicidade dos dois dura muito pouco. A partir daí, Julio prossegue na busca incessante por sua amada. Mas o livro não fala só do amor, fala das questões políticas da época, das divisões, o socialismo, as guerras, as corrupções. É união do amor e da história, duas coisas que muitas pessoas gostam.

          " Quando a pretensa revolução desmoronou, assistindo eu a toda espécie de oportunismos, de ambições escondidas, de traições, a esperança louca nesse amor me deu força de desejar sobreviver..."
                                                                                                  pág. 187 - 1º parágrafo.

E aí, pretendem ler?
     

1 de jul. de 2012

A hora da estrela

      Estou lendo o livro A hora da estrela de Clarice Lispector. É um ótimo livro, ainda não cheguei na metade e não posso falar muito, estou no 3º dia de leitura, eu já deveria ter terminado o livro, mas eu sou alérgica e o livro é muito antigo, está à 12 anos guardado e o mofo dele não é brincadeira.
      Voltando ao livro: O livro é narrado por um escritor que observa a vida da datilógrafa Macabéa, uma nordestina que vive no Rio de Janeiro, orfã de pai e mãe, Macabéa foi criada por uma tia beata que a maltratava. Macabéa é uma mulher magérrima, leva uma vida muito simples e divide o quarto com mais 4 moças se não me engano. Tem uma ignorância inocente, não entende algumas palavras, calada e aceita a vida que leva naturalmente...
     É um ótimo livro, embora eu não tenha terminado. É daqueles livros que você só lê se tiver um mardor de texto nas mãos, o livro tem aquelas frases que dizem tudo.
     Ninguém me indicou esse livro, eu li apenas pela necessidade de ler um livro, se não o faço eu fico inquetíssima, haha.
     Beijos, Glê.