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30 de mar. de 2014

I.
com voracidade
queria-me
dizia-me
"meu amor"
com a fome
de quem deseja
com a sede
de quem
se entrega

II.
com voracidade
beijava-me
com os olhos
olhava-me
com os lábios
o desejo
de quem tem
e não pode ter
não como quer

III.
com voracidade
tinha meu corpo
com o cuidado
de delinquente
tínhamos
a vontade
insaciável e
incurável
do não-ter

12 de mar. de 2014

Despertador

O frio corta a alma adormecida. O sol luta e não vence. Nubla. A vida muda, o estômago dói. Sinto a fragilidade entre os dedos, fragilidade escorrendo pelas mãos. Fragilidade que me quebra, me divide, tenha um pouco de piedade. Minhas mãos abrem e fecham, seguem o ritmo dos meus pulmões. Peço a Deus que deixe a cidade nublada, que a transforme em alguns minutos de chuva. E chove. Agradeço com um sorriso tímido, sorriso que ninguém viu.

O sol nasce pela segunda vez. Caminho apressada com a calma que me falta, com a alma que me transborda. Tenho vontade de voltar. Desistir. Não caminhar. Não conseguir. Mas, o sol faz minha aliança brilhar. Faíscas transbordam. A alma transborda outra vez.

É só mais uma manhã que passará enquanto trilho meus caminhos.

2 de mar. de 2014

Tepidamente

"Cuántas palabras, sólo para decir que no quiero parecer patético."
La tregua, Mario Benedetti.

Vê-la hoje, até parece irreal. O caos já não me basta, por isso chorei querendo a presença de quem o ameniza. Deus me escutou? Quisera eu poder andar despreocupadamente, como alguém que vive. Ser dói. Corrói. Destrói. Ser está além do eu, além do que posso decidir. E eu, estou muito além do que eu queria. Um além que tem dois passos dados para trás. A insanidade me neutraliza por alguns instantes, me faz ensopar com lágrimas um travesseiro. Tudo passa, para retornar alguns dias depois. Em um ciclo de um eterno retorno.

20 de fev. de 2014

O pranto do âmago

Foram duas lágrimas pesadas. Nem me deram tempo de piscar os olhos. Caíram feito peso que não consegue aguentar, feito nó na garganta que não desata. Ao escrever sobre duas lágrimas que já se foram, sinto outra vez o peso gelado de tê-las escorrendo. Lágrimas que não pude conter. Seis palavras. Palavras que me partiram a alma e me fizeram perceber o frio do meu quarto. A ausência do pranto, dos olhos inchados e da dor de cabeça. Duas lágrimas, apenas. Mais sinceras que um uivo de dor, ou uma ferida em putrefação. Discretas, mas deixaram um rastro úmido no meu rosto seco.

10 de fev. de 2014

Granada

Tenho quinze minutos e um amanhã pela frente. Quinze minutos e piso no primeiro degrau do sono. Catorze minutos para fechar tudo e ir dormir. Perdi as contas dos minutos. Talvez o tempo não seja tão importante assim. 

6 de fev. de 2014

(Reticências)


Reparar o que existe nos abraços, talvez.
Veja aí o bem que você me fez.
Nesse mundo cheio de falsas leis.

Não importa em que mês você chegou na minha vida - embora eu saiba algumas datas de cor - você chegou enquanto eu duvidava das minhas certezas. Eu até que estava bem com as minhas dívidas e dúvidas, riscando itens de listas invisíveis, seguindo com tudo do mesmo jeito. Coração vazio, oficina do diabo.

Eu queria uma liberdade inexplicável.
Não se resumia em andar sozinha nas ruas.
Não se resumia em andar por aí.
Não se resumia em nada.
E eu não sabia pra onde ir.

Eu permaneci, segui com o meu coração vazio,
vadio
baldio.

Quis morar nos teus olhos.
Rebrilhar nos teus caminhos.

E não quis me declarar.
Vivi em silêncio.
Até o silêncio acabar.


29 de jan. de 2014

Volta!

Você foi e caiu um pingo de chuva. Depois dois, três... Caíram alguns pingos e foram embora. A ausência da chuva, a tua ausência. Duas ausências tão presentes na minha solidão. Ri com tanto exagero em um só coração. Eu te deixei ir. Eu sei que você volta amanhã, mas parece tão longe. É exagero, sim. Ou não.

6 de jan. de 2014

Catarse

Estou sozinha, ridiculamente sozinha em um lugar cheio. Ridiculamente sozinha e não querendo estar. A dor passou dos limites. Eu já não sei mais o que fazer. Escuto o que me dizem, mas a mente volta ao ponto de partida. Tento me convencer de que te vi há poucos dias, que a sensação de que o tempo passou rápido demais é mera fantasia. Mas não é. A dor acaba comigo e finjo que está tudo bem. Eu faço de conta que você esteve aqui há poucas horas, consigo sentir o teu perfume, o peso do teu olhar, a leveza do teu toque. Mas fico em uma guerra sem trégua entre a realidade e o que me obrigo a acreditar. Você não esteve aqui ontem, nem anteontem, nem na semana passada... É um nó na garganta porcamente disfarçado, seguro as lágrimas, tento me enganar mais uma vez até pegar no sono. Chorar seria assumir a tua falta, assumir o vazio que há em mim. De hora em hora cresce um ódio ressentido e, mentalmente, eu quebro tudo e me desespero. Ainda derrubo alguns cadernos e desabo no chão desiludida. Nada além da tua presença será capaz de preencher esse vazio que está assumindo proporções inimagináveis. Eu adiei ao máximo a explosão dessas palavras. Mas a minha rotina voltará, percorrerei os antigos caminhos e nada de você aqui no fim de tarde. Nada da tua presença nas próximas horas. Minhas mãos vazias sem a presença das tuas, meus olhos murchos por causa da certeza de que os teus não estão do meu lado. Amanhecerá. A certeza que tenho é de tudo que não sei. Refaço meus passos, relembro dos beijos, das palavras. Sinto a dor das palavras que não revisei. Eu te amo.

26 de dez. de 2013

Entrega

Meus sentimentos são as minhas orações. Para os meu desejos e meus pecados, não pago penitência. Talvez eu não meça as consequências e esqueça de tudo o que me ensinaram. Sinto que já não preciso me desculpar, muito menos apagar meus sentimentos. Se o caos segue os meus passos é só uma doce coincidência. Viro personagem, um sonho de pierrot. Deixo as mãos gelarem e minha boca sorrir de um cinismo disfarçado; deixo meu olhar rasgar papéis com os quais eu sufocaria. Faço das dores físicas um pouco de poesia, me disfarço de leveza sem temer. Rio da ingenuidade alheia enquanto brinco com alguns fios de cabelo. Respiro perfumes alheios, observo passos incertos. Admiro a beleza que não veem. Não me importo com hábitos errados ou fatos passados. Não deixe teus olhos comigo, eu vejo tudo.

Senti o tempo passar rápido demais entre os meus dedos, senti meus lábios esboçarem um sorriso de aceitação. Seu eu te olhar assim de lado, acredite que nem eu sei o que estou pensando. Eu também não acredito no que desmando. Não sei explicar o que em mim está acabando.

Me deixo na parede, deixo pedaços de mim e não perco nada. Talvez eu deixe meu corpo falar, talvez eu esqueça de te avisar. Se quiser fazer de mim um violão, eu deixo.

11 de dez. de 2013

Monte Castelo

Suava, o coração palpitava, a ansiedade massacrava o corpo já debilitado. Os desejos antigos pulsavam. A espera angustiante para saber o que há horas foi revelado. O susto do não, a explosão do sim.

Pela primeira vez, algo real.

Recíproco.

E, de repente, eram os sonhos escancarando as portas. A coragem desprezando o medo. A razão do quase-amor.

Era a lembrança do: Será-que-aquele-foi-o-primeiro-e-único-abraço? Tão difícil quanto o abraço dado enquanto o ônibus já esperava com a porta aberta, pessoas entrando, o vento frio trocando calor com o calor do nosso abraço meio desajeitado, em uma calçada qualquer. Longe-quase-perto de flores brancas e vermelhas. Assim como eu, longe-quase-perto de ti, de braços cruzados, esperando o ônibus partir de portas fechadas. Um apagão enquanto a escuridão da noite já reinava...

A noite tinha um céu aquarelado, um céu anoitecido e ainda com toques de amarelo e laranja.

É estar aqui, escrevendo na escuridão, e sentir o peso do teu olhar enquanto eu fingia não prestar atenção.

Coincidências.

O hiatus que tive assim que li o "Ficar contigo." foi igual ao hiatus que tive enquanto escrevia algumas dessas palavras. Foi mais do que um "Eu te amo" propriamente dito. Foi mais do que o beijo desajeitado que dei na tua bochecha enquanto te abraçava.

Não tenho mais coerência para escrever com esses pensamentos descoordenados. Não tenho mais como descrever o mais-que-um-eu-te-amo-propriamente-dito da noite de dez de dezembro.

29 de nov. de 2013

Caminhos inexatos

Quinze pr'as seis da manhã.

 Já não me importo. Não tanto como antes. Os dias não são iguais. Tudo é tão mutável para mim e, aos olhos dos outros, tudo é sempre o mesmo. A luz do Sol projetada nas folhas das árvores, nos muros das casas, na fumaça dos carros. A mesma mulher loira cruza comigo no caminho da escola desde quando eu tinha nove anos. Não sei seu nome, ela não sabe o meu. Ela envelheceu um pouco, eu cresci e minha alma já não é mais a mesma. São sempre as mesmas manhãs, o mesmo ar impuro acabando com os meus pulmões e quase as mesmas pessoas passando por mim. O mesmo calor morno, o mesmo suor escorrendo no meu rosto. A mesma pressa inocente, os mesmos passos decididos. Mas tudo tão diferente, tão novo e tão estranho aos meus olhos. Às vezes, o céu escurece e cai uma chuva fininha. As pessoas fogem e eu quero mais estar no meio da rua, sentindo o frio dos pingos de chuva.

Onze e quarenta da manhã.

Sol escaldante. Planos mirabolantes para uma tarde que só me cansará. Carros, carros, carros, um olhar. Olhares fortes e algumas pessoas vazias. Pressa, sempre a pressa do meu coração vadio.


10 de out. de 2013

Duzentos

Pouco mais de um ano de blog e duzentos textos. Contos, poemas, textos sem gênero definido... Nunca pensei que conseguiria voar tão alto e chegar tão longe. Jamais imaginei que gostariam de ler o que escrevo sobre o que sinto, vivo e penso. Eu não sabia que, em uma bela madrugada, criaria algo para pensar em desistir quase todos os dias.

Além de duzentos textos, são milhares de palavras, infinitos sentimentos e milhões de acontecimentos. Com todas essas palavras, posso olhar para trás e ver que todo sacrifício foi válido. Posso até morrer em paz. Sei que com essas palavras serei eterna. Afinal, o maior medo do ser humano é morrer. Porém, sei que lembrarão de mim, mesmo que de um jeito torto. Também posso dizer que sou imatura demais para escrever o livro que tanto esperam. Vivi muito pouco para isso. Quero agradecer aos leitores que comentam, aos que não comentam também. Afinal, sem leitores um escritor não existe. Agradecer também aos meus amores, cada um me matou, cada um me ressuscitou. Enfim, só tenho a agradecer. O resto é solidão.

Que venham mais textos! Até o post (comemorativo) dos trezentos textos.

24 de set. de 2013

Infinitos

para M. M.

Era como observar o sol através de uma pequena fresta. Conseguia vê-lo, senti-lo. Mas era algo distante, dolorido. Uma antiga ferida recentemente aberta. Os olhos fitando, vivendo. As mãos suando, tremendo. A impossibilidade. Impossível viver sem virar essa página, atravessar tal ponte, escalar uma montanha. Traumas acumulados, vidas. Drásticas mudanças.

Os olhos, as mãos, os sorrisos, os ares. O que te cerca é o mesmo que nos cerca? Flores, folhas secas. Páginas viradas, páginas marcadas. Suspiros doloridos, o leve fechar dos olhos, o milimétrico fechar das mãos. A vida brotando perto, o amor brotando longe. Tudo nascendo, até o inanimado. O sorriso brotando tímido, o coração acelerado, batendo feito animal medroso.

O caminho tornando-se curva. O caminho curvando-se para o mundo. Alguém dobrando a esquina fez dela caminho. Do ato de caminhar, fez fuga. Da fuga: alegria, vida. Da caminhada, corrida. Corrida rápida, leve, libertadora. Corrida-quase-voo. Sussurro quase beijo. As palavras presas no peito acelerado. Palavras presas no coração de quem demasiadamente ama, demasiadamente chama, clama.

A rosa nas mãos, ou uma flor. Exatamente como os que amavam há trinta anos atrás. O medo, as mãos, o suor, gelo, olhos brilhando. O caminho caminhado, os traumas superados, os sentimentos confessados. Páginas rasgadas, viradas, esquecidas, escritas. A vida sorrindo longe para o amor chegando perto.

12 de set. de 2013

8 de set. de 2013

Resiliência

E acontecem essas coisas que não conseguimos explicar para as crianças. Nascemos, juntamente com os pingos de chuva, os raios de sol. O mundo dói, você não sabia? É mais uma das infinitas coisas que não nos ensinaram na infância. Crescemos como flores selvagens, mesmo que nos protejam excessivamente. Acho tão injusto o julgamento de um passado tão distante. Será que você também pensa assim? O poeta disse que é preciso virar a página e eu acreditei, concordei. Você me indagou sobre as marcas. E eu disse que elas são necessárias e só. Nunca me senti tão rasa. Agora quero que você aceite sua profundidade.

Eu que leio as entrelinhas, quis ser Deus. Dessa vez por uma causa nobre. Eu que de Deus já duvidei, eu que de Deus desacreditei. Quis ser o mais perfeito dos seres para te explicar o que eu, humana, não consigo dizer. O mundo é bom, menina. Mas a maldade quer que vejamos as coisas de outro ângulo. Dizem que eu tenho todas as palavras na palma da mão, mas isso é um inocente engano. Eu queria, sim, ter todas as palavras. Só com essas palavras que eu não conheço, eu poderia tirar um pouco da tua dor. Mas se, por um acaso, o mundo te machucar outra vez, eu prometo que meu silêncio estará sempre contigo. E as pessoas que possuem o meu silêncio cheio de palavras que não consigo dizer, bem, são elas que eu mais admiro. Admiro, mesmo que não consiga expressar.

E agora, moça?
O mundo quer acabar
Mas ele sempre recomeça.
E nós, vãs criaturas, não podemos recomeçar?
De cada cicatriz
Devemos nos orgulhar
E de nada nos valerá a escalada
Que não consiga nos marcar.

Para uma moça que nasceu há exatos dezenove anos. Mais uma vez, feliz aniversário.

21 de jul. de 2013

(des)amor

(Cena de Wuthering Heights <3)


P.S.: São cartas e bilhetes que eu acabei encontrando nesse domingo tedioso. Um amor que acabou não dando certo. Os sentimentos morrem e as palavras ficam. Lembrando: cartas de amor são ridículas.

***
E esse olhar que não me deixa? É, esses teus olhos caminham comigo, estão sempre na minha cola, me observando. Esses teus olhos me observam tanto que me envergonho. Teu cheiro também anda comigo enquanto eu caminho como um anjo livre pelas ruas. Sinto teu cheiro nos meus lençóis e me pergunto se estou enlouquecendo. Você jamais esteve entre meus lençóis, mas seu cheiro está aqui. E está em todo lugar.

Tua presença está sempre comigo. É como se você estivesse atrás de mim enquanto atravesso a rua, enquanto estou na fila do banco... Pena que as coisas não acontecem como nos meus sonhos. Eu espero que um dia aconteça. Queria que você me dissesse: "Você não me pega! só para me fazer correr feito louca no meio da rua e depois te alcançar, receber teu braço.  É, bem que nós poderíamos ser como crianças outra vez. Às vezes o amor sonha tanto que faz a alma ficar pura outra vez.

Sabe, no meio de toda essa incerteza ainda mora a minha esperança, que divide morada com meu amor. Confesso, eu tenho medo de que tudo isso não passe de um sonho bom, dolorido, mas bom. Dói muito pensar que um dia você irá se transformar em uma lembrança... Mas, fazer o quê? O amor tem dessas coisas.

***

Parece que foi hoje cedo que te vi com um livro nas mãos, totalmente concentrado. Coisa bonita de se ver. "O livro é o santo e a senha." E realmente é. Mas isso não aconteceu hoje cedo, aconteceu há dois meses atrás. Mas eu guardo tudo como se tivesse acontecido hoje de manhã, ou há alguns anos atrás.

Guardo as coisas pequenas, os detalhes. As coisas que ninguém lembraria. A primeira vez que te vi, a primeira vez que fomos apresentados. Disso você não lembra, rapaz. Na época eu amava outro, era outra. Tudo era diferente desse presente incerto.

Você foi entrando no meu pensamento, deixando marcas em todos os cantos. Depois apareceu na rua, na frente da minha casa, na cadeira da garagem, na calçada... Não posso olhar para estes lugares sem te enxergar. Se pelo menos eu te enxergasse apenas nos arredores da minha casa, mas eu também fiquei marcada com os teus abraços. Lembro de cada um deles, até contaria se não fossem tantos. Lembro dos sábados, domingos, sextas, segundas e terças. Lembro de todos os dias e de todas as palavras, de todos os gestos. Lembro de absolutamente tudo. Só quero saber se isso tudo continuará fazendo parte de um passado sem futuro.

***

Juro que eu queria te escrever um poema bonito ou um parágrafo bem caprichado. Queria te trazer para perto de mim outra vez, qualquer dia desses. Só para o fim de tarde ficar um pouco mais diferente, para ficar com rosto de brisa quente e hálito fresco. Queria esquecer teu cheiro e apagar todas as fotos. Apagar o brilho dos meus olhos e todos os sonhos que nem existiram. Apagar para parar de doer, sabe? Mas não dá para esquecer. Eu não desapego fácil das pessoas.

***

Essa é para você, que tem medo de tudo. Que tem medo dos anjos, do Diabo e de Deus. E o pior: tem medo de si mesmo. Sabe, eu queria que você adquirisse otimismo e confiança, nem que fosse na base da porrada. Mas não dá, que pena.

***

Já passaram tantos dias desde o nosso último abraço. Acho que você me apertou demais, sabe? Agora fiquei sentindo falta do (pouco) carinho que você deixou. Vê se sai de dentro das músicas, de dentro do cheiro dos perfumes. Desaparece dos solos das guitarras. Teu perfume ainda está naquele meu blusão lilás que eu vesti um mês atrás.

***

Você iria me comprar uma aliança. Agora eu que te pergunto: Para quê? Acho que não tenho vocação para amarras, minha única aliança é com a escrita. E mesmo assim, essa aliança é maior que meu dedo, vez ou outra cai. Você já foi tarde. Quanto tempo perdido. Repito minha pergunta: Para quê?

15 de jul. de 2013

Tão incerto


Minha menina se chamará Lygia. Meu menino, Renato.

P.S.: Entenda quem quiser, quem conseguir.

13 de jul. de 2013

Pela janela


Janelas. Uma pulseira shambala com o símbolo da paz, paz que eu peço em meio ao caos. Parece que não cumpro o meu papel nessa peça mal feita. O caos, a ausência de alguém para amar. O rádio toca, eu canto. Mas não sigo os conselhos da música. O mundo passa, os meninos brincam. Os meninos que não sabem se comerão algo no jantar, os meninos que vivem entre drogas e armas. Meninos que não conhecem outra realidade. Me sinto inútil quando só vejo o mundo através de uma janela. Os apartamentos acesos parecem tão solitários. Lá dentro eu só teria como companhia os pelos do meu corpo arrepiados pelo frio. O mundo é tão grande e somos tão pequenos. Estar dentro de um carro e não poder chorar dói. "Estude-se e liberte-se." Dizia uma pichação praticamente escondida por rabiscos. As pessoas estão mudando. Eu prendi alguns poucos olhares ao meu. E as perguntas me martelavam o coração. Não tenho amor para cuidar, nem nada certo para dizer. Não sei de nada do mundo, todos acham que eu tenho que saber. Sou apenas uma criança grande, com uma fragilidade anormal. Um olhar doce e uma alma flutuante. Eu continuei como simples telespectadora da vida, através daquela janela. Tão cheia e tão vazia. A alma cheia de dor, dor que dói pelo vazio e se despedaça entre energias infinitas. Sou tantas pessoas em um mesmo dia. Mas continuo sempre tentando decifrar a alma das outras pessoas, não me conformo com os olhares ou sorrisos abertos. É tudo tão simples e tão complexo. Eu vejo além, só esqueço de ser além do que eu sou. A alma ganha asas e cria voz quando estamos entre o sono e o mundo real.

9 de jul. de 2013

Sensações da alma


Quem é aquela moça que te olha e não diz nada? Quem é ela que deseja e não expressa? Quem é essa moça que tudo sente e quase nada diz? Quem é a moça que sabe mais do que o que aparenta? Por que ela escreve? Pra quem ela canta? Será que é preciso tanta complexidade? É só um embolar de sentimentos, de sensações. A sensação de viver sempre da mesma coisa. Talvez seja tudo igual. Acho que nada é diferente. É só falta de amor, e de ter quem amar.


27 de jun. de 2013

Estranhas complexidades


E no meio dessas milhares de multidões, minha alma se contorce e se indaga: "O que lhe falta para que você seja quem realmente é?" Sobra a poeira que cintila na pouca luz que entra pela janela. Sobra tudo que está atrás de mim, essa bagunça sentimental. E uma alma que se revira como um feto sufocado pelo próprio cordão umbilical, como uma louca sufocada pela própria loucura. E esses meus olhos que nunca encontram outros. Sempre olhando, permanecendo nos bastidores dessa vida.

Talvez seja só aquele giro que dei em câmera lenta. As coisas mais simples transformando outras simplicidades em grandes complexidades. Está tudo parado agora. E eu, pela milionésima vez, me sinto fora do ar. Com esses acordes de violão, tudo parece fazer sentido. É estranho, na mesma medida que é normal.