1 de out de 2012

Outubro

      Dois goles de café quente e a xícara já está se esvaziando. O ar ainda tem cheiro de fumaça. Voltei a ler meus livros com uma certa compulsão. Quero viver assim, entre livros e ideias malucas de um próximo texto. Assim começa outubro.
      Agosto é um mês depressivo e setembro é o mês da pós-depressão. Mas não existe nenhum mês que seja de completa felicidade. Ou seja, nós somos um bando de pessoas querendo colocar culpa em quem não tem. Você está entre elas, eu também. Todos nós mentimos, escondemos algo, somos egoístas. Todos nós erramos e não admitimos o erro alheio. Julgamos os outros e nem olhamos para nós mesmos. Não estou destacando um grupo de pessoas. Estou destacando toda a humanidade.
      Todas as pessoas são repugnantes, todo mundo tem um erro feio pra contar. Então, quem somos nós para julgar um infeliz por qualquer tropeço? Todo erro tem o seu motivo, os erros já foram acertos na época  em que foram cometidos. Mesmo que o tal erro seja uma tremenda irresponsabilidade e cause arrependimentos depois. O melhor é deixar cada um ser feliz à sua maneira.
      Um gole de café frio e finalmente a xícara está vazia. O cheiro de fumaça passou, mas eu ainda estou espirrando. Fechei o livro, estou com sono. Nesse momento eu não posso mover sequer uma palha pela humanidade e nem por mim. Assim termina o primeiro dia do mês de outubro.
      

2 comentários:

  1. Para alguns, a relação com a humanidade é cíclica: começa-se admirando as pessoas e suas histórias. Nesta fase, é encantador observar como somos diferentes uns dos outros, ímpares, divergentes, atraentes. Depois, com o tempo, acaba-se odiando e tendo nojo da existência e seus pequenos e multiplicados restos. Olhamos tão de perto, que nos assustamos com os poros, com as cicatrizes. No final tudo faz sentido. Fusão. Idealização romântica e entendimento realista. "Besteira", pensamentos. E quando percebemos, estamos novamente apaixonados pela humanidade.

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    1. Odiamos e nos apaixonamos pela humanidade, é um ciclo.

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