Sabe aqueles momentos em que você se sente lúcida? Pois é, estou num desses. É bom mandar o coração pros quintos dos infernos e lembrar do mais importante. Que eu estou em primeiro lugar, que meus sentimentos são mais importantes que os dos outros. Não que eu vá me tornar fria, longe de mim. Só não vou aceitar amores pela metade, amores que não são reais. Tenho mais com que me ocupar. Já disse Renato: "Não precisa vir/ se não for pra ficar/ pelo menos uma noite/ e três semanas." Paixões vem, e vão. A gente se machuca, diz que nunca mais vai querer amar (ou se apaixonar). Mas sempre aparece uma outra pessoa, e com as mesmas palavras nos conquista, pra depois nos machucar. Sabemos disso, mas quase ninguém deixa de procurar o tal amor pelas ruas, pelas esquinas das bibliotecas. Na verdade ninguém deixa, sempre resta aquela pontinha de esperança. Não há fórmula mágica. Só será diferente se souber escolher. Basta ter força, bater a poeira da roupa e dizer que vai mudar o rumo das coisas. E muda mesmo, mas se houver força entre as suas células. Caso contrário, você cairá na primeira tentação que aparecer.
20 de mar. de 2013
19 de mar. de 2013
Skoob - minha estante virtual
Meme roubado da Gabriela. (Que tem um blog lindão.) Pois é, vi esse meme lá - em novembro - mas resolvi postar agora e não tenho explicações para isso, haha.
Então, vamos lá.
1. Quantos livros você tem na aba LIDO no Skoob?
Cinquenta e cinco. Sim, só esses. Mas li muito quando criança. (Estou lendo ainda mais.) E não consegui lembrar de todos. Memória, algo que eu não tenho.
2. Qual livro você está lendo?
Três.
O nome da rosa, do Umberto Eco. Mas parei porque tive que emprestá-lo, em breve voltarei a ler o exemplar lindão que tenho.
Machado de Assis para principiantes, organizado por Marcos Bagno. O livro é separado por dez temas (adultério, ceticismo, dinheiro, loucura, mulheres, política, sedução, ser & parecer, vaidade, humor), dentro de cada tema existem trechos extraídos de obras dele e um conto na íntegra. Ainda estou na parte da loucura, o livro é bem interessante, mas é parado demais. Pois é.
O lobo da estepe, de Hermann Hesse. Estou simplesmente apaixonada pelo livro. Só li 64 páginas, mas posso garantir que é ótimo. Um pouquinho parado no começo, mas depois que peguei a essência de toda a filosofia dele, passei a amar esse lindo com todas as minhas forças. Está aqui do meu lado, vai para os favoritos.
3. Quantos livros você tem na aba VAI LER?
Trinta e dois. Em constante atualização.
4. Você está relendo algum livro? Qual é?
Não oficialmente. Mas vez ou outra dou uma olhadinha nos livros que já li.
5. Quantos livros você já abandonou? Quais são eles?
Sete. Sim, tudo isso.
O restaurante no fim do universo, de Douglas Adams. Mas depois quero ler esse livro. É MUITO engraçado, não posso perder esse.
Cantos de Outono, de Ruy Câmara. O livro é MUITO chato e depressivo até demais. Começa com um suicídio, e prossegue com muito mimimi. Mas ainda vou terminar de ler esse livro, acreditem.
História & Sociologia, de Flavio Saliba Cunha. Não lembro o motivo do abandono.
A ilha misteriosa, de Julio Verne. Na época fiquei com preguiça de ler e larguei. Simples assim.
Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Na distante década em que eu estava lendo esse livro, um gato fez o favor de fazer xixi nele. Sim, isso aconteceu. Mas vi um exemplar lá na escola, talvez eu leia.
Eclipse, de Stephenie Meyer. Abandonado por motivos óbvios, acho que não necessita de explicações.
O encontro marcado, de Fernando Sabino. Abandonado por razões desconhecidas.
6. Quantas resenhas você tem cadastradas no Skoob?
Nenhuma. Estou com preguiça de fazer resenhas. Se eu criar alguma coragem posto aqui no blog.
7. Quantos livros avaliados você tem na sua lista?
Cinquenta e três. Procurando os que ainda não foram avaliados.
8. Na aba FAVORITOS, quantos livros você tem registrados? Cite alguns.
Quinze.
Marley e eu, de John Grogan. Esse livro marcou meu retorno ao mundo dos livros.
As meninas, de Lygia Fagundes Telles. Sou apaixonada pela escritora e guardo um amor inexplicável por esse livro.
O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë. Amei o amor de Heathcliff e Cathy. O amor que tudo destrói. Esse livro me fez sentir ódio, angústia, felicidade. Tudo junto. E no fim, acabei chorando por Heathcliff.
Papisa Joana, de Donna Woolfolk Cross. Fale nesse livro que meus olhos ficam rasos d'água. Sou apaixonada pela Joana, uma feminista revolucionária, que disfarçou-se de homem para chegar no cargo de Papa. Ou de Papisa. Assistam ao filme depois da leitura. É sim, bastante cortado, mas vale a pena.
O zahir, de Paulo Coelho. Livro que explica uma grande fase da minha vida. Literalmente apaixonada por cada palavra desse livro. Com ele me apaixonei por Paulo Coelho.
A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera. De todos os livros que li, esse foi o que mais me fez pensar. Pensar em tudo. É quase inexplicável, só lendo pra entender.
9. Quantos livros você tem na aba TENHO?
Vinte. Tenho mais alguns por aqui, em breve atualizarei.
10. Quantos livros você tem nos DESEJADOS?
Dois.
Helena, da Del Lang.
Ao norte de mim mesmo, do Gabito Nunes.
11. Quantos livros emprestados no momento? Quais?
Só um. O nome da rosa.
12. Você quer trocar algum livro? Quais são?
Não. Jamais. Tenho amor pelos meus livros, e não os troco por nada.
13. Na aba META, quantos livros você tem marcados? Cumpriu essa meta?
Tenho dez livros marcados. Já li um e estou lendo três. Mas não estou me obrigando a cumprir.
14. Qual é o número do teu paginômetro?
12.070.
15. Qual o link do teu perfil no Skoob?
Gleanne.
12 de mar. de 2013
Ela só queria um refúgio...
Tarde quente, mas o vento é frio. A casa de estilo italiano é solitária, sem portas abertas. Está abandonada, aquela menina queria comprá-la. Pertenceu a um padre que largou tudo para casar-se. O amor falou mais alto. A tal casa parece perdida, parece ter vindo de outro chão. Uma exceção entre as lojas, entre casas de outros estilos. Exceção entre todos os carros, e por estar vazia. A menina disse que queria ficar lá, e de lá observar sua alma perdida. Dentro dessa casa existe uma biblioteca, talvez sem os livros. Mas há o espaço para uma biblioteca, e era lá que a menina queria ficar.
Deixei a moça entrar na casa que ninguém queria, eu era só um corretor de imóveis. A tal casa era cara demais e velha demais, ninguém queria investir em algo antigo. E a moça parecia um anjo, tinha um brilho dolorido nos olhos, um sorriso feliz demais. Um sorriso que não combinava com um par de olhos tão tristes. Seu nome era Ana Clara, e ela só olhava e sorria, não ligava para os meus elogios, nem para os elogios dos outros homens que encontramos na rua. Ela estava com um vestido longo, mas parecia andar nua, parecia mostrar a alma. Deixei com ela a chave e meu telefone, queria ouvir sua voz rouca mais uma vez e eu também precisava daquela chave.
Lá ela era uma menina perdida, fugitiva do mundo, buscando um refúgio. A moça considerava a casa uma Pasárgada, caso ela existisse. "Aqui eu sou a verdadeira Ana Clara", me disse a moça com um sorriso triste. O espaço era empoeirado, me causava um pouco de alergia, mas consegui me habituar com o cheiro de vida morta. Lá estava ela caminhando com o vestido coral, quase transparente, parecia até uma roupa de fantasma. A moça possuía um magnetismo estranho e eu não consegui deixá-la sozinha. Fiquei longe, observando-a.
Ana Clara parecia um anjo destruído, de pele pálida, olheiras ao redor dos olhos, unhas grandes pintadas de preto. As unhas quebravam o toque angelical dela, mostravam a ponta de revolta que habitava naquele coração machucado. O vestido era longo, a festa já estava terminada. E dentro do sonho ela sonhava. Sonhava com aquele que ela não podia ter. E contorcida de dor ela delirava, imaginava que ele também estava ali, entre as paredes daquela casa.
O vento agitava o vestido dela, mostrava os pés pequenos que já pisaram em tantas pedras, que já ficaram submersos em tantas lamas. Ana Clara estava deprimida, descobri isso por causa das ondas de lágrimas que iam e voltavam. E ela olhava os pulsos como se ali morasse um refúgio. Eles eram a porta da morte, caso ela desejasse. Mas ela não queria morrer, queria desaparecer de outra forma. Transformar-se em um anjo, uma deusa da mitologia grega, uma santa dos ciganos, uma hippie. Mas Ana Clara era ela em sua individualidade, era ela em sua alma sem explicação. Seria ela até que uma guerra resolvesse devastar o mundo e ela fosse só mais um corpo sem vida. E que mesmo assim se destacaria entre os outros, pois ela morreria sorrindo.
Ana Clara, tente esquecer desse passado. Tente apagar as coisas, nem é tão difícil assim. Só é difícil pra você, menina. Que se apaixona sem ser calculista, que se entrega por inteiro, que ama sabendo que acabará mais machucada do que antes. E que aparecerá outro alguém tentando remendar um coração de séculos de existência. Coração de um único amor realizado. Ah, o coração de Ana Clara. Chega a doer só de imaginar. E ninguém remenda seu coração, não é? Dá uma trégua, Ana Clara. Você deveria aceitar os que te prometem uma paixão tranquila, daquelas de tocar violão vendo o sol poente. Mas você não quer, menina. Você é insistente, seu coração também. Só quer ele, e ele você não sabe se terá.
Aninha você está me seduzindo com sua dor. Por que escolheu essa casa? Eu estou aqui e você nem sabe, moça. Você aí, caminhando, inocente... Forçando a porta da biblioteca, espirrando por causa do mofo. Você soltou um palavrão e eu comecei a rir. Não combinava com ela, mas ela disse e eu aceitei. Ela me ouviu rir e olhou para onde eu estava. Um olhar quase perfurante, mas havia uma ponta de doçura ali. Eu sorri e fui até ela. Assustada, ela pegou um livro grande, mas eu pedi que tivesse calma. Peguei sua mão gelada de tanto medo, parecia mesmo a mão de um anjo; a minha era calejada. Ela perguntou a razão, eu disse: "Violão, meu bem. Toco desde que era um rapaz, só não prossegui por causa de meu pai." Um brilho dolorido se acendeu nos olhos dela, mas ela consegui sorrir e dizer: "Então é um poeta das cordas? Gosto de violões, são lindos. Mas meu dom é outro..." Falou e depois olhou para a janela aberta, não conseguia me encarar.
Fui falando da minha vida, e ela aos pouquinhos foi revelando a dela. Era estudante e escritora. Me falou das paixões que nunca passaram de olhares, do único amor. Era uma menina, mas tinha uma alma tão sofrida que parecia viver desde sempre. Já era noite e estávamos sentados naquela casa enorme e vazia. Ainda havia energia ali, acendemos as luzes. E falamos de nossas vidas abertamente, ela me aconselhava. Eu também a aconselhava, mas ela só sorria e balançava a cabeça negativamente. Eu arrisquei beijá-la, mas ela me afastou com as mãos empurrando meu peito e disse: "Isso seria uma traição..." Eu pedi explicações, então ela me contou a história de um rapaz que havia entrado em sua vida, mas que não a quis por infinitas razões. Ele estava com outra, mas ela ainda sofria por ele. E era por ele que chorava. Ela chorou no meu peito, quase desfalecendo, pensei até que morreria. Parecia tão frágil, tive medo de quebrá-la se a apertasse um pouco mais. Mas ela disse que sabia que sofrer daquele jeito não adiantaria de nada, ela só queria alguém pra remendar seu coração quebrado. Eu disse que me candidataria, e nós rimos. Foi a vez dela de pedir um beijo. E ela chorava, dizia que o fim dela estava próximo, por isso se daria ao luxo de se deixar levar em outros braços. Ela levantou-se de repente, me pegou pela mão e não disse nada. Eu a acompanhei, enquanto ela abria as portas e procurava um cômodo. Até que achou um quarto, o único que não estava empoeirado, parecia um milagre. Ela ficou na porta, pensando, distante dali. Eu entrei, puxei-a para dentro e a beijei até ficar tonto.
Ana Clara me olhou meio assustada, foi até a janela, ficou de costas e tirou o vestido enorme que se resumia a um círculo alaranjado no chão. Era meio irracional estar com ela, realmente parecia um espírito, era estranho e lindo ao mesmo tempo. Era alta, quase da minha altura, mas parecia pequena. Tinha asas tatuadas nas costas, uma estrela no tornozelo. Ela permaneceu de costas até que eu me aproximei e beijei suas asas. Agora prefiro calar, e dizer apenas que nos amamos naquele quarto quase fantasmagórico.
Quando pensei que ela acordaria ao meu lado, ela não estava lá. Havia saído, deixou só um bilhete: "O que há de melhor na vida acaba, passa depressa..." Procurei feito louco por ela, passei dois dias nessa busca. Até que vi estampado nos jornais, uma moça de asas tatuadas nas costas havia morrido atropelada, não havia sido identificada. Foi para o paraíso, minha Ana Clara, meu amor...
Só queria mesmo desabafar.
Onze de março de dois mil e treze. Fim de tarde. Fim de mundo.
Há dias eu tento escrever algo que seja mais ou menos o que eu estou vivendo. Consegui? Obviamente não. Eu travo, simplesmente travo quando tenho que falar sobre ele diretamente. Nunca vi alguém me fazer tanto bem e tanto mal ao mesmo tempo, sério. É um imã, um encosto, uma praga. (Mas eu amo o rapaz, gente.) Um mar de incertezas para uma pessoa desajustada. Dessa vez Murphy caprichou. E só pra constar no atestado de óbito: eu odeio escrever assim, como se estivesse falando. Mas é a vida, assim ficará.
Eu queria alguém pra conversar, mas existem poucas pessoas nesse mundo pra quem eu falaria tudo que está acontecendo. Uma delas está curtindo as férias escolares, e essa é a única que me escutaria e diria: "Glen,você está ferrada."; a outra pessoa até conversa comigo, diz que tudo ficará bem, que em poucos dias eu esquecerei o cara e bléh (mas eu NÃO vou esquecer o cara, quando o mundo entenderá isso?); por último e não menos importante: o esse cara sou eu da minha vida. Quisera eu mandá-lo ao inferno, chorar por, sei lá... quinze dias e esquecê-lo. Mas não dá. Ele é quem me deixa triste, e também é a pessoa que me tira da tristeza. Sem metáforas e sem ironias. Ele faz isso MESMO. O rapaz tem um dom. É um ariano que tem paixonites ferradas. (Parece até eu, né? Lindo isso.) Depressivo de vez em quando, de vez em sempre, de vez em toda hora. Tem uma queda pra escrever, mais poesias do que textos. Só que ele não assume isso, e também não enxerga que é por causa desse bendito dom de escrever (sem ironia) que a vida dele é ferrada. Todos nós somos ferrados, seja em alguns ou em todos os pontos possíveis. Vá escrever pra achar uma coisa, vá. Eu até aconselho, sabe? É lindo ver as pessoas descobrindo a existência de Murphy, e que ele é um demônio operante. (Só que não.)
Vou fazer quinze anos no fim do mês. Não que isso seja lá muita coisa, mas estou com medo do dia trinta e um. As aulas retornarão no dia vinte e cinco, voltarei para a minha linda biblioteca recheada de clássicos, cheirinho de mofo, chão limpinho, estantes lotadas, bibliotecária chata... Ah, na escola eu desabafo tudo com a única amiga que tenho lá, e isso é bom. Ruim mesmo é olhar pra cara do professor de matemática.
É isso, crianças. Só queria mesmo desabafar.
10 de mar. de 2013
Sobre uma música que joga o passado no presente
Eu sei muito bem o que você sentiu quando ouviu aquela música tocando, sei em quem pensou, sei quase tudo... Acredite, também tive vontade de chorar, tive vontade de desabar ali mesmo. E deixar que aquela droga de música depressiva entrasse nos meus poros como um vírus que infecta o sangue. Mas não, permaneci ali, forte. Forte por fora, só por fora. Não sei se você percebeu, mas eu enxuguei suas lágrimas, enxuguei várias e várias vezes o teu rosto. Enxuguei as lágrimas que não haviam caído, que não caíram na minha frente. Foi duro, eu tive muito medo naquela hora, foram os piores três minutos da minha vida. Só não foi pior por que você continuava ali, mesmo que a mente viajasse pelos mundos mais obscuros do teu passado. Sabe, eu só tenho medo do seu medo. Mas depois, outras músicas tocaram e o medo se dissipou, pelo menos aparentemente. E você voltou ao seu normal, o rosto procurando o meu, as mãos se entrelaçando mais uma vez, os olhos fechados como manda o figurino. Eu sei, não é fácil ser uma Ana Clara, assim como não é fácil ser um Maximiliano.
Assinar:
Postagens (Atom)
