Eu leio com a inocente esperança. A esperança de ser algo mais. Das escrituras sagradas às coisas que chamam de obscenidades mundanas. Eu leio com esperança. Me sinto como a Papisa que a Igreja tentou apagar, me sinto como a Papisa observando a incoerência do altar sagrado. Altar construído com os roubos assassinos aos povos pagãos. Eu leio com esperança. Admiro as palavras dos homens e acho estranhas as palavras que dizem ser de Deus. Descrente? Jamais! Eu acho é que acredito em coisas demais. Pequenas interferências, incongruências. Ah, idolatria! Quanta imaturidade! Eu leio com esperança. Os homens de instintos animais, homens que matam em pleno cais. A Sagrada Bíblia, a Doutrina de Buda, O Livro dos Espíritos, Deus, a Deusa. O homem e suas dúvidas, seus desentendimentos. O Vaticano está sendo atacado por bombas.
28 de jul. de 2013
27 de jul. de 2013
Raíza
"Algo de raiz, de profundidade até no nome. Olhos que falam uma língua antiga, língua que nenhum ser dos tempos atuais entenderia. Moça indecifrável, indecisa e perdida ao andar pelas ruas cheias, um rosto sério que parece sorrir quando o pensamento voa longe. Um quê de dor na expressão, um quê de amor na escuridão. Indecisa, corpo indeciso, alma flutuante. Ideias lindas, uma visão de mundo totalmente igualitária. Eu diria que você é um ser humano exemplar, mesmo que tenha toda essa tristeza na alma, mesmo que tenha os milhares de altos e baixos nessa vida complicada. Eu te entendo. Entendo teu pouco e enorme grande tempo de vida. Você é."
Mesmo no meio de toda essa tristeza eu consegui sorrir com esse bilhetinho. Palavras dele, e ele mesmo colocava aspas. Ele que me conhecia tanto, que me amava tanto, ele que eu tanto amo. Amo, mas é dessa forma diferente que eu tenho de amar, de enxergar tudo. Alguns anos passaram, parece tanto tempo... Ele foi um refúgio, um pequeno lugar seguro no meio de todo esse caos. Ele foi o único que não me puxou para o fundo do poço, o único que se importava e que realmente me conhecia. Velhos tempos.
Forçada a mudar, forçada a assumir uma identidade que não me pertencia, forçada a ser uma alma habitando no corpo errado. Enfim, uma marionete em mãos erradas. Por fraqueza ou pura inocência, acabei aceitando, deixando-me levar. Um dia inteiro no consultório branco e disfarçadamente tranquilo, obrigada a contar tudo que eu não queria. Sentindo o gosto amargo de cada novo comprimido em fase experimental, lendo bulas e mais bulas, com medo dos efeitos colaterais. Diziam: "Tudo psicológico, excesso de psicologia. É fase e com o tempo passa." Tudo o que eles não sabiam é que eu me aceitava e me amava daquele jeito. A minha visão diferente do mundo, batizaram de depressão. É estranho de explicar, de certa forma é inexplicável. Mas aceitar o que se é, é perfeitamente normal. Aceitar e entender não são ações que a sociedade costuma ter.
Como um gay, uma lésbica, eu sofria e provava do gosto amargo do preconceito. Preconceito por carregar no meu peito uma dor triste, dor que eu aceito. O mesmo preconceito que a sociedade tem com os loucos. Tudo o que é diferente do dito "normal" é alvo do desprezo e da ignorância. Mais normal do que os padrões eram as minhas dores e meus pensamentos, que nasceram comigo e nunca foram padronizados por ninguém. E como uma pessoa diferente, eu era obrigada a me esconder com sorrisos falsos e falsas eram as minhas alegrias.
Ver tudo em preto e branco foi minha primeira escolha inconsciente. Às vezes eu via as coisas um pouco amareladas, como em um filtro do Photoshop. Mas isso também foi escolha minha. E, de repente, querendo deixar de lado minha pura inocência, fui descobrindo que meus valores não deveriam seguir os outros. Eu não deveria ser como um rio, indo sempre para a mesma direção. Nadar contra a correnteza foi minha escolha. Agora sei que tenho tudo em minhas mãos.
P.S.: Esses parágrafos são dedicados à Mi, que me deu a ideia de escrevê-los. E para todos os que sofrem ou já sofreram com a incompreensão alheia.
Como um gay, uma lésbica, eu sofria e provava do gosto amargo do preconceito. Preconceito por carregar no meu peito uma dor triste, dor que eu aceito. O mesmo preconceito que a sociedade tem com os loucos. Tudo o que é diferente do dito "normal" é alvo do desprezo e da ignorância. Mais normal do que os padrões eram as minhas dores e meus pensamentos, que nasceram comigo e nunca foram padronizados por ninguém. E como uma pessoa diferente, eu era obrigada a me esconder com sorrisos falsos e falsas eram as minhas alegrias.
Ver tudo em preto e branco foi minha primeira escolha inconsciente. Às vezes eu via as coisas um pouco amareladas, como em um filtro do Photoshop. Mas isso também foi escolha minha. E, de repente, querendo deixar de lado minha pura inocência, fui descobrindo que meus valores não deveriam seguir os outros. Eu não deveria ser como um rio, indo sempre para a mesma direção. Nadar contra a correnteza foi minha escolha. Agora sei que tenho tudo em minhas mãos.
P.S.: Esses parágrafos são dedicados à Mi, que me deu a ideia de escrevê-los. E para todos os que sofrem ou já sofreram com a incompreensão alheia.
25 de jul. de 2013
Não vejo só poesia
Os cabelos que caem no ralo do banheiro são apenas pequenos sinais de morte. Outros fios virão e preencherão o espaço vazio. Os pingos que caem deveriam ser pequenos sinais de alegria para ti. A água que tira o teu cansaço deveria te fazer sorrir.
Que sabe, rezar no banheiro. Sentir a água caindo, gelada, te fazendo tremer. Meditar, agradecer. Agradecer por tudo o que você tem. Se arrepender, quem sabe? A água continua caindo e você deveria ser grato. Ainda há água no planeta, ainda há vida na nossa pequena Terra. A água cai no seu corpo transformado, corpo que já te fez chorar. Corpo magro adolescente, corpo um pouco modificado pela fase adulta, corpo totalmente transformado pela meia-idade. Nada com o que se preocupar, certo? As moças da televisão são apenas marionetes, escravas do tão conhecido padrão. Não há motivos para chorar, o tempo muda tudo o que atravessa o seu caminho. Isso deveria ser um sinal de gratidão.
Se arrepender, quem sabe? Melhor arrepender-se agora. Das mentiras, da brutalidade e falta de amor no coração. Você tinha dinheiro quando aquele senhor te implorou por alguma moeda. Você zombou dos dependentes químicos, disse que a culpa era unicamente deles. Mas você nunca passou fome, nunca foi espancado, nunca foi humilhado por ter nascido, jamais foi odiado pelos próprios pais, nunca precisou de um meio para escapar, jamais precisou ver luz em algum fim de túnel. Tudo está sob seus olhos, tudo está ao toque das tuas mãos.
A mulher que apanha, a criança que agoniza de fome, o homem que corta os pulsos. E você, um executivo bem sucedido, que nunca sentiu o estômago roncar sem ter alguns reais nos bolsos? E você, mulher de bancário rico, presa no próprio mundinho luxuoso? E você, rapaz mimado que chora por não ter o mais novo celular da Apple? E você, moça que quer estar dentro dos padrões da mídia, mesmo que perca a vida por causa disso? Você que não aceita as estrias, os seios pequenos, as coxas desproporcionais. Você que trata as mulheres como meros objetos, que usa a força para que a namorada faça o que você quer. Você que não pede o divórcio para o marido machista por causa da conta bancária dele.
Você que é gente comum e quer ser como os que aparecem na TV. Você que tem tudo oque precisa, mas quer o carro mais novo, a área mais nobre da cidade, o celular assinado pelo gênio da tecnologia, o computador mais fino do mercado. Vocês de olhos tapados e corações congelados: há uma família que é sua, mas você não os conhece, não sabe nem como é capaz de lembrar o nome deles. Há um céu estrelado, mas você não se dá o trabalho de olhar para cima. Há um pedinte solitário no chão que sempre te cumprimenta, mas você não pode perder o seu precioso tempo para respondê-lo.
Você, que é um dos "vocês" aqui citados: é hora de mudar!
Tudo o que você vê, bom o ruim, é o que você poderia ser.
21 de jul. de 2013
(des)amor
(Cena de Wuthering Heights <3)
P.S.: São cartas e bilhetes que eu acabei encontrando nesse domingo tedioso. Um amor que acabou não dando certo. Os sentimentos morrem e as palavras ficam. Lembrando: cartas de amor são ridículas.
***
E esse olhar que não me deixa? É, esses teus olhos caminham comigo, estão sempre na minha cola, me observando. Esses teus olhos me observam tanto que me envergonho. Teu cheiro também anda comigo enquanto eu caminho como um anjo livre pelas ruas. Sinto teu cheiro nos meus lençóis e me pergunto se estou enlouquecendo. Você jamais esteve entre meus lençóis, mas seu cheiro está aqui. E está em todo lugar.
Tua presença está sempre comigo. É como se você estivesse atrás de mim enquanto atravesso a rua, enquanto estou na fila do banco... Pena que as coisas não acontecem como nos meus sonhos. Eu espero que um dia aconteça. Queria que você me dissesse: "Você não me pega! só para me fazer correr feito louca no meio da rua e depois te alcançar, receber teu braço. É, bem que nós poderíamos ser como crianças outra vez. Às vezes o amor sonha tanto que faz a alma ficar pura outra vez.
Sabe, no meio de toda essa incerteza ainda mora a minha esperança, que divide morada com meu amor. Confesso, eu tenho medo de que tudo isso não passe de um sonho bom, dolorido, mas bom. Dói muito pensar que um dia você irá se transformar em uma lembrança... Mas, fazer o quê? O amor tem dessas coisas.
***
Parece que foi hoje cedo que te vi com um livro nas mãos, totalmente concentrado. Coisa bonita de se ver. "O livro é o santo e a senha." E realmente é. Mas isso não aconteceu hoje cedo, aconteceu há dois meses atrás. Mas eu guardo tudo como se tivesse acontecido hoje de manhã, ou há alguns anos atrás.
Guardo as coisas pequenas, os detalhes. As coisas que ninguém lembraria. A primeira vez que te vi, a primeira vez que fomos apresentados. Disso você não lembra, rapaz. Na época eu amava outro, era outra. Tudo era diferente desse presente incerto.
Você foi entrando no meu pensamento, deixando marcas em todos os cantos. Depois apareceu na rua, na frente da minha casa, na cadeira da garagem, na calçada... Não posso olhar para estes lugares sem te enxergar. Se pelo menos eu te enxergasse apenas nos arredores da minha casa, mas eu também fiquei marcada com os teus abraços. Lembro de cada um deles, até contaria se não fossem tantos. Lembro dos sábados, domingos, sextas, segundas e terças. Lembro de todos os dias e de todas as palavras, de todos os gestos. Lembro de absolutamente tudo. Só quero saber se isso tudo continuará fazendo parte de um passado sem futuro.
***
Juro que eu queria te escrever um poema bonito ou um parágrafo bem caprichado. Queria te trazer para perto de mim outra vez, qualquer dia desses. Só para o fim de tarde ficar um pouco mais diferente, para ficar com rosto de brisa quente e hálito fresco. Queria esquecer teu cheiro e apagar todas as fotos. Apagar o brilho dos meus olhos e todos os sonhos que nem existiram. Apagar para parar de doer, sabe? Mas não dá para esquecer. Eu não desapego fácil das pessoas.
***
Essa é para você, que tem medo de tudo. Que tem medo dos anjos, do Diabo e de Deus. E o pior: tem medo de si mesmo. Sabe, eu queria que você adquirisse otimismo e confiança, nem que fosse na base da porrada. Mas não dá, que pena.
***
Já passaram tantos dias desde o nosso último abraço. Acho que você me apertou demais, sabe? Agora fiquei sentindo falta do (pouco) carinho que você deixou. Vê se sai de dentro das músicas, de dentro do cheiro dos perfumes. Desaparece dos solos das guitarras. Teu perfume ainda está naquele meu blusão lilás que eu vesti um mês atrás.
***
Você iria me comprar uma aliança. Agora eu que te pergunto: Para quê? Acho que não tenho vocação para amarras, minha única aliança é com a escrita. E mesmo assim, essa aliança é maior que meu dedo, vez ou outra cai. Você já foi tarde. Quanto tempo perdido. Repito minha pergunta: Para quê?
19 de jul. de 2013
Antidepressivo
Faço parte da geração que escreve coisas no computador. Me orgulhar? De quê? Por vezes depressiva, lendo livros depressivos para pensar na depressão. Que coisa mais estranha ter essa alma. Que coisa! (...)
Trilha sonora da madrugada:
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