8 de out. de 2012

Após o casamento

      Livros com finais felizes, não consigo gostar deles. E não são só livros, filmes também. São filmes que eu assitia aos 9 anos, mas lembro dos seus finais melosos. Eu sei que estou ficando (mais) louca, mas não há nada que se possa fazer. Até tem como tratar, mas ser atendida por um psiquiatra pior do que eu, é algo que eu não gosto.
      Voltando ao assunto dos finais felizes. Acreditar neles é coisa de quem não tem o que fazer (se alguém ficar ofendido, me desculpe). Mas, eu serei sincera: eu detesto a ideia de ter uma vida perfeita. Gosto de ser negativa, de ter do que reclamar, de sentir a minha cabeça latejar de raiva. E, como consequência disso, eu consigo melhorar em alguns aspectos. Mesmo que eu não consiga ser uma pessoa zen, nunca.
      Não há graça nenhuma em ser um modelo, um exemplo de perfeição. A mulher perfeita, que faz todas as vontades do namorado/marido/amante. Não há sentido algum em ser submissa. Acho que não repararam no real significado da frase "felizes para sempre". Quer dizer que após o casamento a vida é perfeita? Depois do casamento a vida se complica ainda mais, meu bem. Mesmo que exista amor entre os dois. Eu tiro o exemplo por mim, que sozinha já sou uma confusão, imagine se existisse um cara comigo.
      Depois do casamento você verá que o cara é viciado em futebol e que só sabe falar disso. Ele dirá que cólicas são besteiras na primeira vez que você se queixar de uma. Reclamará das suas roupas, mesmo que você esteja vestida como um monge. Suas maquiagens serão exageros, você sempre vai ter perfumes demais, esmaltes demais, cremes demais. Suas coisas serão caras demais, ele reclamará disso sempre, mesmo que seja o seu dinheiro. Você sempre sairá demais, mesmo que o destino seja a casa da sua mãe. Aliás, coitada da sua mãe, para aguentar suas queixas. E por fim, você sempre terá calçados demais, mesmo que só tenha dois.
      Prefiro andar descalça. Não sou do tipo que quer que o sapato de cristal seja do mesmo tamanho do pé. Ou o pé da Cinderela era pequeno ou grande demais. Não existe apenas um pé com o mesmo tamanho.

Meme das 11 coisas...

      ...deveriam ser 12 coisas, mas é melhor deixar pra lá.
      Já que a minha inspiração não está lá essas coisas, um meme sempre me salva. Então, roubei esse meme da Mia. E vocês, pobres almas, lerão onze porcarias (ou não) da minha vida.

As regras:
      - Escrever onze coisas aleatórias sobre você.
      - Responder as onze perguntas que a pessoa lhe mandou. E criar onze novas perguntas para as pessoas que irá mandar.
      - Escolher onze pessoas para repassar esse meme, e colocar os links dos seus respectivos blogs.
      - Avisar os blogs escolhidos.
      - Postar as regras.

Onze aleatoriedades:
      1- Sou obcecada por silêncio. Quer me fazer feliz? Então, me leve para um lugar silencioso e repleto de livros.
      2- Nunca namorei, nunca fiquei e nunca beijei ninguém. Eu escondia isso, até hoje.
      3- Minha internet é a pior do mundo, então, não reclame da sua.
      4- Minha memória é uma droga, esqueço de praticamente tudo.
      5- Eu preciso usar óculos, mas não vou ao oftalmologista. Por quê? Eu peguei conjuntivite na última vez que fui.
      6- Sou tímida, não exageradamente. Mas eu me acostumo rápido com a presença de alguém desconhecido.
      7- Já "roubei" um livro de uma biblioteca, mas eu o devolvi. Eu precisava ler o livro, mas já havia pegado outro livro lá. O desejo foi incontrolável, então...
      8- Sonharei eternamente com o meu Gerold, seja lá quem for. Mas se você existir, que apareça logo!
      9- Só amei  um único homem na vida, ainda o amo. Ele é meu amor platônico desde os meus 12 anos. Mas ele não é o Gerold. Infelizmente.
      10- Sou apaixonada pela França, pela língua francesa, Balzac, Paris. E pela Torre Eiffel, que foi inaugurada no dia do meu aniversário, 31 de março (só que em anos diferentes, dãh).
      11- Nasci aos seis meses, com 40 centímetros e 1 quilo. Eu deveria ter morrido, mas estou aqui, escrevendo.

Onze perguntas:
      1- Qual a celebridade que te inspira? Nunca tive muita ligação com celebridades. Então, nenhuma.
      2- Tem algum livro que você leu e já modificou o seu ponto de vista sobre algo? Qual foi esse livro e que visão ele mudou? Papisa Joana não sai de mim, sério. Mudou minha visão sobre limitações, conhecimento e até amor. Se você ler esse livro com vontade, pode apostar que a pessoa que abriu o livro não será a mesma que o fechará. Psicologicamente falando, claro.
      3- Qual música você não consegue parar de ouvir? Mais uma vez - Legião Urbana.
      4- O que você mais gosta no seu blog? Bom, o Thousand Loves em si, já é parte de mim. Mas eu tenho que gostar dos meus textos, né? Então...
      5- Se pudesse mudar de nome, qual escolheria? Mirian.
      6- Tem algum dom que você gostaria de ter? Atrair chuva e escrever já me satisfaz.
      7- Que palavra define a sua infância? Uma frase: Tenho lembranças doces da infância, claro. Quedas, risadas, cordas e pipas fizeram parte da minha infância. Mas eu amadureci cedo.
      8- O que você acha das redes sociais? São minhas caixas de fotos e reclamações.
      9- Você é patriota? É obvio que não, sou apaixonada pela França.
      10- Se pudesse ser igual (fisicamente) a alguém, quem seria? Ninguém. Sou muito feliz do jeito que sou, tenho vontade de mudar algumas coisas, mas nada que me leve ao delírio de querer parecer com alguém.
      11- Esse ano foi bom, razoável, ou ruim pra você? Por quê? Vamos falar sério, não existem anos completamente bons. Existem momentos bons, razoáveis e ruins. Mas anos são sempre uma mistura do ótimo com o péssimo.

Pronto, acabou! Como eu acho que todo mundo que conheço já fez esse meme, ele está totalmente livre para ser roubado, furtado, surrupiado ou coisas do gênero. Se alguém fizer, me mande o link. :)

5 de out. de 2012

Subconsciente

      A ânsia do vômito, do choro. Somente a vontade insistente, martelando. Ali dentro, sem saber exatamente onde, mas dói, perfura, comprime. A dor está presente em todos os lugares e em lugar nenhum, tudo isso ao mesmo tempo, fazendo o corpo entrar em pânico.
      Somente vontades, simples e complexas, mas nada consegue ir para fora. Uma alma atormentada não consegue comandar um corpo. O vômito, as lágrimas e os gritos. Todos estão amontoados em um núcleo qualquer.
      O corpo afunda e reconhece a água gelada, o aconchego de tocar a água e o nada ao mesmo tempo. O fôlego diminui e o desejo grita, implora e diz que quer ficar. O cérebro não raciocina como deveria, o cérebro parou. Zumbidos fazem os ouvidos doerem, os pulmões estão quase estourando. Um quase desmaio acontece e o subconsciente sonha. Sonha com ruas vazias, sujas, pobres e estranhas. A vontade de correr só se manifesta depois que as pernas já estão travadas, tudo isso por culpa da perseguição do invisível. Existe um hospital em alguma rua, existe o desespero. Os olhos já estão fechados, o sangue escorre pelo nariz, o corpo afunda. O desespero é escuro e invisível, escuro e invisível.
      Um tremor faz com que o corpo desperte, mas o cérebro não consegue fazer cálculos e nem consegue pensar. O extinto fala mais alto, grita. Grita em uníssono com a fraqueza. Nadando sem forças, o sangue transformou a água em um monte de lama vermelha e o nojo só aumenta. Só mais uns metros e a superfície estará presente, o oxigênio está logo ali. A lua está refletida na água. A lua e o oxigênio, lua, oxigênio...
      A vida! A vitória, aqui está a superfície. E só voltar para o antigo mundo. Estou olhando e não enxergo nada, o oceano está escuro. O frio, tremor. A consciência está...
      O susto ofegante, era só um pesadelo. Mas foi real, o oceano conseguiu morar por alguns minutos aqui e ele dormiu nessa simples cama de solteiro. A angústia e o medo, tudo foi real.
      O subconsciente grita tudo, grita para aceitarmos a realidade, os desejos reprimidos, castigos, ameaças, amores, paixões... Aceitar o que se é. Pensando bem, o subconsciente é a real consciência.

3 de out. de 2012

Astronomia

      Hoje a lua surgiu mais cedo, com o formato de um biscoito mordido. As estrelas estão cada dia mais brilhantes, mais próximas e o céu durante a madrugada é simplesmente espetacular. Astronomia sempre me encantou, mas o fato de possuir matemática me deixa com um pé atrás (ou melhor, os dois pés). Prefiro ficar com os meus conceitos sobre estrelas (ou seja, o lado mais poético e estético), deixando de lado toda a baboseira de cálculos, elementos químicos e coisas do gênero.
      Estudar a posição, os movimentos e a constituição dos corpos celestes nunca passou de um sonho infantil.

1 de out. de 2012

Outubro

      Dois goles de café quente e a xícara já está se esvaziando. O ar ainda tem cheiro de fumaça. Voltei a ler meus livros com uma certa compulsão. Quero viver assim, entre livros e ideias malucas de um próximo texto. Assim começa outubro.
      Agosto é um mês depressivo e setembro é o mês da pós-depressão. Mas não existe nenhum mês que seja de completa felicidade. Ou seja, nós somos um bando de pessoas querendo colocar culpa em quem não tem. Você está entre elas, eu também. Todos nós mentimos, escondemos algo, somos egoístas. Todos nós erramos e não admitimos o erro alheio. Julgamos os outros e nem olhamos para nós mesmos. Não estou destacando um grupo de pessoas. Estou destacando toda a humanidade.
      Todas as pessoas são repugnantes, todo mundo tem um erro feio pra contar. Então, quem somos nós para julgar um infeliz por qualquer tropeço? Todo erro tem o seu motivo, os erros já foram acertos na época  em que foram cometidos. Mesmo que o tal erro seja uma tremenda irresponsabilidade e cause arrependimentos depois. O melhor é deixar cada um ser feliz à sua maneira.
      Um gole de café frio e finalmente a xícara está vazia. O cheiro de fumaça passou, mas eu ainda estou espirrando. Fechei o livro, estou com sono. Nesse momento eu não posso mover sequer uma palha pela humanidade e nem por mim. Assim termina o primeiro dia do mês de outubro.