14 de fev. de 2014

Esquina do eu

O calor pesa nos meus ombros
Cantarolo por falta de palavras minhas
Caminho por falta de outro destino
Não preciso de rimas

Talvez eu fantasie parte desse peso
E isso tudo seja uma leveza disfarçada
Ou uma eterna falta de nexo
Não preciso dessa sina

Pontos de luz
Tantos reflexos partem do mesmo ponto
Fragmentos do eu
Pontos distantes, desfocados
Não preciso de rotina

Medo de fitar meus olhos
Desabar no segundo que eu me enxergar
Fecho-os, suspiro
Permaneço no caos
Não tem fim
Eu permaneço.

10 de fev. de 2014

Granada

Tenho quinze minutos e um amanhã pela frente. Quinze minutos e piso no primeiro degrau do sono. Catorze minutos para fechar tudo e ir dormir. Perdi as contas dos minutos. Talvez o tempo não seja tão importante assim. 

9 de fev. de 2014

Golpe

Viver dói.
Eu sou dor.
Silêncio.
Fuga.
Indiferença.
Medo.
Silêncio.
Insuficiência.

Acreditei que viver não doía
Por puro capricho.
Vivo
Por pura teimosia.

6 de fev. de 2014

(Reticências)


Reparar o que existe nos abraços, talvez.
Veja aí o bem que você me fez.
Nesse mundo cheio de falsas leis.

Não importa em que mês você chegou na minha vida - embora eu saiba algumas datas de cor - você chegou enquanto eu duvidava das minhas certezas. Eu até que estava bem com as minhas dívidas e dúvidas, riscando itens de listas invisíveis, seguindo com tudo do mesmo jeito. Coração vazio, oficina do diabo.

Eu queria uma liberdade inexplicável.
Não se resumia em andar sozinha nas ruas.
Não se resumia em andar por aí.
Não se resumia em nada.
E eu não sabia pra onde ir.

Eu permaneci, segui com o meu coração vazio,
vadio
baldio.

Quis morar nos teus olhos.
Rebrilhar nos teus caminhos.

E não quis me declarar.
Vivi em silêncio.
Até o silêncio acabar.


29 de jan. de 2014

Volta!

Você foi e caiu um pingo de chuva. Depois dois, três... Caíram alguns pingos e foram embora. A ausência da chuva, a tua ausência. Duas ausências tão presentes na minha solidão. Ri com tanto exagero em um só coração. Eu te deixei ir. Eu sei que você volta amanhã, mas parece tão longe. É exagero, sim. Ou não.