Nossas mãos
Teus beijos
Olhares
Os medos
Pilares
Desejos
Os tons
Os dons
Teu cheiro
Nossos passos
Os abraços
Risos
Disfarces
Sorrisos
Palavras banais
Sinais
Vogais
Meus sinais
Pessoas banais
Anormais
Beijos desiguais
Te quero
Sempre
Mais.
23 de dez. de 2013
15 de dez. de 2013
Colapso
O desejo existe. E saber disso só me faz desejá-la cada vez mais. O desejo de não encontrá-la somente nas palavras, mas em uma rua qualquer; em um dia quente, perto de uma árvore. Vontade de acabar com a saudade e sentir a presença. Vontades, vontades... O que posso dizer da ligação não feita? Os dias transformaram-se em algo diferente da rotina e do passar das horas. Palavras no ar, flutuando. Sentimentos. Madrugadas. Decisões.
Amor artístico? Amor para inspirar? Amor para amar? Para saciar, variar, compensar? Amor para quê? Amar para quê?
Encontrar uma sensibilidade próxima, um sonho coincidente, uma esperança vagabunda. Um sentimento inferior de tão superior que é. Encontrar no amor, na carne, na falta de pudor? O que podemos descobrir nesse mundo repetitivo? O que posso encontrar de exclusivo em mim? O que há de novo em nossas almas?
Como podemos amar nessa cidade caótica, com esses corações de fibra ótica? Como seremos gente, como viveremos entre os que só sobrevivem? O que nós pensamos ter de diferente, para sermos assim, tão diferentes? O que eu fiz para estar nas garras do teu (des)amor?
Ainda somos humanas?
Diferença. Essa vida cheia de perguntas nesse apartamento sem mobília. O que faremos no meu ateliê-biblioteca?
Pintar esse raio de sol batendo nesse prédio cinza. Pintar esse teu corpo deitado no tapete barato. Somos corpos, apenas corpos. Somos almas, apenas almas. Estamos juntas pelo pouco tempo que o sono nos permite estar. Quatro olhos castanhos, dois corpos brancos pela falta de sol, dois sorrisos tímidos. Dois delírios perfeitamente possíveis de duas mulheres perfeitamente reais.
Insaciedade, o que nos move.
11 de dez. de 2013
Monte Castelo
Suava, o coração palpitava, a ansiedade massacrava o corpo já debilitado. Os desejos antigos pulsavam. A espera angustiante para saber o que há horas foi revelado. O susto do não, a explosão do sim.
Pela primeira vez, algo real.
Recíproco.
E, de repente, eram os sonhos escancarando as portas. A coragem desprezando o medo. A razão do quase-amor.
Era a lembrança do: Será-que-aquele-foi-o-primeiro-e-único-abraço? Tão difícil quanto o abraço dado enquanto o ônibus já esperava com a porta aberta, pessoas entrando, o vento frio trocando calor com o calor do nosso abraço meio desajeitado, em uma calçada qualquer. Longe-quase-perto de flores brancas e vermelhas. Assim como eu, longe-quase-perto de ti, de braços cruzados, esperando o ônibus partir de portas fechadas. Um apagão enquanto a escuridão da noite já reinava...
A noite tinha um céu aquarelado, um céu anoitecido e ainda com toques de amarelo e laranja.
É estar aqui, escrevendo na escuridão, e sentir o peso do teu olhar enquanto eu fingia não prestar atenção.
Coincidências.
O hiatus que tive assim que li o "Ficar contigo." foi igual ao hiatus que tive enquanto escrevia algumas dessas palavras. Foi mais do que um "Eu te amo" propriamente dito. Foi mais do que o beijo desajeitado que dei na tua bochecha enquanto te abraçava.
Não tenho mais coerência para escrever com esses pensamentos descoordenados. Não tenho mais como descrever o mais-que-um-eu-te-amo-propriamente-dito da noite de dez de dezembro.
9 de dez. de 2013
Young
São ruas vazias e escuras. Passos calmos, uma leveza um pouco nervosa. Uma certeza um pouco duvidosa. Revelações simples, coisas desconexas. O futuro ecoa na mente. A possibilidade ecoa no sorriso. As palavras escorrem pelos dedos, o coração pulsa acelerado.
Eu já não ligo mais para os meus vazios.
Eu já não ligo mais para a minha falta de nexo.
Para toda essa falta de explicação.
Eu já não ligo mais para os meus vazios.
Eu já não ligo mais para a minha falta de nexo.
Para toda essa falta de explicação.
3 de dez. de 2013
Momento
Doce momento do cair dos traços, do cair da roupa, do desatar dos laços, do atravessar da luz. O obter do algo que por milhões de segundos foi o prazer mais desejado. E esse prazer será descartado? Caso, casual. Ver hoje, dizer adeus amanhã. Paredes brancas, cobertas de quadros, sustentada por livros, absurdo momento. Sinfonia estranha dos gritos, complexidade do que não faz o mínimo sentido. Sombras, reflexos o cair do sol. O amanhecer da noite, a hora de libertar as proibições, mostrar ao Sol o que ele nunca viu. Uns passos dançados, que não foram ensaiados. Uns passos sensuais que não pertencem a nenhum ritmo. Uma música fluindo e descompassando nossa dança. Arrepios estranhos de uma noite amena. Uma atmosfera diferente, outras almas, outras auras. O que dizer dos beijos que ainda te darei? Uns olhos que fazem cair tudo, o último véu, a última máscara. Os últimos pudores. A linha tênue da sanidade se destruindo aos poucos.
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