14 de mar. de 2014

Retorno

Choro dolorido que me contrai
Barulho de chuva que me distrai
Peso do choro que cai

À tarde vejo pedras vazias
Iluminação perfeita
Sensações tardias

Sou eu, sozinha
Sozinha

Em outra linha.

12 de mar. de 2014

Despertador

O frio corta a alma adormecida. O sol luta e não vence. Nubla. A vida muda, o estômago dói. Sinto a fragilidade entre os dedos, fragilidade escorrendo pelas mãos. Fragilidade que me quebra, me divide, tenha um pouco de piedade. Minhas mãos abrem e fecham, seguem o ritmo dos meus pulmões. Peço a Deus que deixe a cidade nublada, que a transforme em alguns minutos de chuva. E chove. Agradeço com um sorriso tímido, sorriso que ninguém viu.

O sol nasce pela segunda vez. Caminho apressada com a calma que me falta, com a alma que me transborda. Tenho vontade de voltar. Desistir. Não caminhar. Não conseguir. Mas, o sol faz minha aliança brilhar. Faíscas transbordam. A alma transborda outra vez.

É só mais uma manhã que passará enquanto trilho meus caminhos.

4 de mar. de 2014

Segredo

Eu derreto
Me comprometo

E no caos
De paz
Me resta você.

3 de mar. de 2014

Avenida

O calçamento desmedido
Pelos olhos sofridos
Sorrisos contidos
Dias tingidos

Sempre os mesmos risos
Todos imprecisos
Buscando outros sorrisos
Igualmente imprecisos

Ainda há o sol
Entre braços vestidos
Sapatos indecisos
E falsos sorrisos

Palpitar

Apesar da vida
Da corrida
Da falta que faz
Um prato de comida

Há sempre a partida
Súbita
Aflita
Descrita

Feito impulso
Que faz poema
E não faz páginas