3 de mar. de 2014

Avenida

O calçamento desmedido
Pelos olhos sofridos
Sorrisos contidos
Dias tingidos

Sempre os mesmos risos
Todos imprecisos
Buscando outros sorrisos
Igualmente imprecisos

Ainda há o sol
Entre braços vestidos
Sapatos indecisos
E falsos sorrisos

Palpitar

Apesar da vida
Da corrida
Da falta que faz
Um prato de comida

Há sempre a partida
Súbita
Aflita
Descrita

Feito impulso
Que faz poema
E não faz páginas

Noivado

Chora baixinho.
Assim como a chuva.
Teu rosto, essa curva.
A dor,
É sempre dor.

Amor,
é sempre o mesmo.
Com exceção
do nosso caso.
Que não é só caso.
Descaso.

Mas caso,
Se você disser
Que me ama.

Trégua

Vida crua
Plena rua
Solitária lua
Mão sua
Flutua
Construa
Reconstrua
Continua
Conclua
Sou tua

2 de mar. de 2014

Inquietação

O que fazes nessas tardes?
Assim, amenas.
Assim, tristes.
O que fazes enquanto eu olho?
O que fazes enquanto eu pareço ser normal?
O que fazes enquanto choro?

O que faço eu enquanto não estou contigo?
Procrastino meu desatino.
Planejo meu destino.
O que faço enquanto te quero sem te ter?
O que faço enquanto nem consigo ler?
O que faço?
O que faço?